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Pagamentos B2B no Brasil: 77% são realizados a prazo, aponta estudo

Levantamento da Qive revela que crédito e a utilização de boletos dominam o setor.

Acro Rodrigues25 de março de 2026 às 14:05
Pagamentos B2B no Brasil: 77% são realizados a prazo, aponta estudo

Uma análise recente sobre pagamentos B2B no Brasil revelou que a maior parte das transações é feita a prazo. De acordo com o Panorama do Contas a Pagar, desenvolvido pela Qive, 77% das operações entre empresas ocorrem com prazo de pagamento.

Lucros e liquidações a prazo

O estudo, que revisou mais de 500 milhões de notas fiscais emitidas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, identificou a movimentação de impressionantes R$ 4,1 trilhões fora do regime de pagamento imediato. Quando considerado somente transações com mais de 15 dias entre emissão e quitação, o valor chega a R$ 2,41 trilhões, o que corresponde a 51,2% do total de documentos emitidos no período por meio de boletos e duplicatas.

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No B2B brasileiro, pagar a prazo não é exceção, é regra e parte da infraestrutura da economia real

Ísis Abbud, co-CEO da Qive.

A maior parte das transações B2B exige que as empresas gerenciem melhor seu capital de giro.

Contexto

A média dos pagamentos a prazo, especialmente aqueles com prazos maiores, mostra que o mercado busca soluções mais simples. Aproximadamente 77% das operações superiores a 15 dias são quitadas em uma única parcela.

Setores em destaque

O levantamento destacou que o varejo é o principal responsável por essa configuração, correspondendo a 65,6% das compras a prazo, totalizando R$ 655 bilhões. A indústria seguiu de perto, com 15,1% do volume e R$ 463 bilhões em transações. Juntas, essas duas áreas representam cerca de 87% do total em boletos e duplicatas.

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No varejo, o prazo com fornecedores é uma ferramenta de gestão de caixa em um setor de margens apertadas e alta rotatividade de estoque

Ísis Abbud.
  • 1Varejo: 65,6% das compras a prazo
  • 2Indústria: 15,1% do volume total
  • 3Saúde: 90,2% dos valores movimentados a prazo

No setor de saúde, foi observado que 90,2% dos valores movimentados ocorreram a prazo, com a maioria utilizando boletos e duplicatas, devido aos longos prazos de recebimento das operadoras.

Mudanças regulatórias em curso

Uma transformação importante está a caminho com a introdução da Duplicata Escritural, uma versão digital da tradicional, que começará a ser adotada voluntariamente em 2026. O modelo deverá se tornar obrigatório para grandes empresas até o final do ano, com extensão para médias e pequenas empresas até 2027.

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A Duplicata Escritural é um divisor de águas para reduzir fraudes e aumentar a eficiência do crédito entre empresas

Christian de Cico, co-CEO da Qive.

Essa nova abordagem, registrada em sistemas autorizados e vinculada à Nota Fiscal Eletrônica, permitirá uma maior transparência nas operações e possibilitará que instituições financeiras antecipem recebíveis com segurança, acelerando o fluxo de caixa para as empresas.

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