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Apagão de mão de obra em energia exige novas soluções no Brasil

Brasil enfrenta desafios na formação de profissionais qualificados no setor energético

Fernanda Lima13 de abril de 2026 às 06:25
Apagão de mão de obra em energia exige novas soluções no Brasil

O Brasil enfrenta um desafio crescente no setor de energia devido à escassez de mão de obra qualificada, que vai além da mera falta de profissionais. Esse fenômeno reflete uma desconexão entre as qualificações requeridas, as oportunidades disponíveis e a educação atual.

Cerca de 18,5% dos jovens entre 15 e 29 anos estavam fora da escola e do mercado de trabalho, segundo o IBGE em 2024.

No cenário atual, as empresas enfrentam dificuldades em preencher cargos essenciais enquanto milhões de jovens não têm acesso à educação ou ao trabalho. Além disso, um estudo do Fórum Econômico Mundial aponta que quase 39% das habilidades dos trabalhadores necessitarão de atualização até 2030. Isso é especialmente crítico para o setor energético, onde a rápida transição tecnológica exige novas competências.

O envelhecimento da força de trabalho

Outro fator preocupante é o envelhecimento dos profissionais da indústria de petróleo e gás. Muitos se aposentam sem que haja uma reposição à altura, levando à perda de conhecimento crucial. Assim, o apagão de mão de obra é tanto uma questão de quantidade quanto de qualidade.

Uma pesquisa da Robert Walters revela que 52% dos profissionais da geração Z desconsideram cargos de média gestão, associando-os ao estresse e à desvalorização. Contraditoriamente, 89% das empresas ainda os veem como essenciais.

A responsabilidade pela formação de talentos

Nesse contexto, a responsabilidade pela formação de novos talentos não deve ser apenas da educação formal, mas também uma prioridade estratégica para a indústria. Um exemplo é o programa Ziga, desenvolvido pela UnIBP, que visa aumentar a diversidade ao preparar profissionais negros para o setor de energia. Esse programa combina treinamento técnico, desenvolvimento de habilidades e conexões com empresas, abordando a desigualdade de acesso à qualificação.

O programa Ziga ajuda a aumentar a inclusão e a qualidade do pipeline de talentos no setor energético.

Além disso, iniciativas como o Programa Offshore do Futuro, também da UnIBP, têm se mostrado eficazes, com mais de 80% dos participantes conseguindo emprego após a formação. Essa aproximação entre educação e demanda do mercado é crucial.

A urgência de ação coordenada

Com a complexidade crescente dos projetos de energia, a eficiência e a sustentabilidade tornam-se indispensáveis. Portanto, é fundamental que haja uma ação coordenada entre o setor educacional e as empresas para criar oportunidades e integrar jovens profissionais no mercado.

Superar esses desafios requer a construção de pontes entre educação e indústria, diversidade e empregabilidade, preparando o setor energético para o futuro.

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