Exportadores pequenos se destacam na busca por qualidade e mercado internacional

Os cafés especiais do Brasil estão se consolidando no mercado internacional, representando 20,3% das exportações do setor no ano de 2025. Com 8,145 milhões de sacas enviadas ao exterior, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), essa categoria de café gerou uma receita cambial de US$ 3,525 bilhões, correspondendo a 22,6% do total exportado.
Empreendedores como Augusto Borges Ferreira, proprietário da Capadócia Coffee em São Gonçalo do Sapucaí (MG), estão transformando suas operações. O cafeicultor, que no início de 2022 enfrentou ceticismo ao dizer que começaria a exportar, já alcançou a marca de 4,8 mil sacas destinadas a mais de 20 países em 2025.
✨ "Quando você sai da porteira para fora, é outro mundo de relacionamento."
A propriedade de Augusto dedica 70 hectares exclusivamente a cafés especiais, incluindo variedades como arara, catuaí vermelho e bourbon amarelo. Ele atribui seu sucesso à qualidade do produto, ressaltando que "sem isso, não dá para pensar em exportar". Atualmente, 70% de sua produção é para o exterior, enquanto os 30% restantes atendem ao mercado interno.
Augusto observa que a remuneração pode ser de até 20% superior nas exportações, mas também traz desafios como câmbio e volatilidade, requerendo conhecimentos em finanças e gestão de risco.
Cristiano Abdalla Rosa, dentista por 31 anos, também se aventurou no setor de cafés especiais ao perceber a necessidade de inovação dentro da produção familiar em Batatais (SP). Desde 2017, ele se especializou em torra e classificação, criando a marca Harufo Café do Brasil e buscando oportunidades de exportação.
""Não vou desistir dos sonhos."
Iniciando suas vendas em casa e estabelecendo uma café com torrefação integrada, Cristiano planejou uma estratégia internacional com a abertura de um escritório nos Estados Unidos e vendas pela Amazon. Após se adaptar aos desafios dessa plataforma, ele agora foca em atendimentos a pequenos negócios americanos antes de avançar para redes maiores.
A atual dinâmica do mercado global é animadora: "O consumo aumenta, mas a produção não cresce no mesmo ritmo. O café é um grande mercado", conclui Cristiano.
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Jornalista especializado em Negócios

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