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Agronegócio
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Desconfiança de cafeicultores sobre safra de 2026 em Minas Gerais

Produtores não acreditam que a colheita atual supere recorde de 2020

Mariana Souza21 de maio de 2026 às 10:40
Desconfiança de cafeicultores sobre safra de 2026 em Minas Gerais

Cafeicultores de Minas Gerais expressam ceticismo em relação à capacidade da safra de café arábica de 2026 de igualar ou superar o recorde histórico de produção alcançado em 2020. Esse sentimento contrasta com as projeções otimistas de analistas, que sugerem que o Brasil pode colher mais de 70 milhões de sacas ao longo deste ano.

Representantes de cooperativas, como Cocatrel e Coocacer, afirmam que, embora haja expectativa de uma boa colheita, as ofertas de preços dos compradores internacionais estão aquém das expectativas dos cafeicultores, dificultando as negociações. Durante um seminário internacional do café em Santos, Jacques Miari, presidente da Cocatrel, reafirmou que 2020 permanece como o melhor ano para a produção, mencionando as condições climáticas favoráveis e o manejo das lavouras.

Cooperativas de café lidam com baixa expectativa de vendas na safra de 2026.

Joaquim Frezza, da Coocacer, corroborou o sentimento de que, apesar de um começo promissor na colheita, não se espera que 2026 supere 2020. Luiz Fernando dos Reis, superintendente da Cooxupé, maior cooperativa de café do Brasil, acredita que, mesmo com uma expectativa de recorde na soma das safras de arábica e robusta, a produção de arábica isoladamente não será maior que a de 2020.

Contexto

O Brasil é o maior produtor de café do mundo e, historicamente, tem anos de safras excepcionais que influenciam o mercado global.

Os negócios no setor estão complicados, com Reis explicando que os compradores ainda aguardam uma maior fluidez nas vendas. Ele observou que os produtores estão hesitando em realizar vendas, especialmente após garantir preços favoráveis nos últimos anos. A Cocatrel também destaca um desalinhamento significativo entre os preços de venda e as expectativas de preço nas exportações.

Chico Pereira, da Cocatrel, observou que a maioria dos negócios está atualmente em espera, devido ao grande abismo entre as expectativas de preço dos produtores e o que o mercado está disposto a pagar. Com essa divergência, o movimento de exportações fica entravado, impossibilitando as cooperativas de avançar nas vendas internacionais.

Apesar das projeções otimistas quanto ao volume de colheita, as dificuldades nas negociações permanecem um desafio, especialmente em um cenário onde muitos produtores conseguem se capitalizar por conta de preços altos nos últimos anos.

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