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China impõe cotas de importação de carne, impactando mercado brasileiro

Medidas trazem desafios e novos rumos para exportadores brasileiros.

Gabriel Azevedo18 de maio de 2026 às 08:10
China impõe cotas de importação de carne, impactando mercado brasileiro

As restrições de importação de carne bovina da China são agora vistas como medidas permanentes até 2028, sem sinal de revogação. Apesar disso, representantes do governo brasileiro e do setor privado se esforçam para persuadir Pequim a aumentar as cotas este ano.

Impactos das cotas no Brasil

O primeiro ciclo das novas regras trará desafios significativos para os exportadores brasileiros, que se veem obrigados a encontrar um equilíbrio nas vendas para a China e explorar novos mercados externos. Enquanto isso, os importadores percebem essa política como um reflexo das mudanças no cenário global da carne, que poderá afetar os preços para os consumidores locais.

A cota ao Brasil foi fixada em 1,1 milhão de toneladas dentro de um total de 2,6 milhões de toneladas para 2026.

Na última semana, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) reiterou ao Ministério do Comércio da China a solicitação de redistribuição de qualquer volume de cotas não preenchidas. Roberto Perosa, presidente da Abiec, destacou que a posição dos chineses é clara: embora não estejam fechando a porta, não farão revisões até que as cotas sejam vigentes.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, planeja discutir o pedido durante um encontro em Pequim, que contará também com a presença do ministro André de Paula.

Desafios e alternativas

Este primeiro ano das cotas já trouxe um aumento nos abates com a perspectiva de uma diminuição nas operações a partir de junho. Um frigorífico que direciona a maior parte de sua produção para a China já avisou que poderá demitir cerca de 200 funcionários se não houver alterações nas cotas.

Perosa enfatiza a necessidade de diversificação dos mercados, incluindo o Japão, Turquia, Coreia do Sul e novas oportunidades no Vietnã, além de incluir produtos alternativos, como miúdos na negociação com parceiros da África do Sul.

Os importadores estão cientes de que a política reflete três realidades fundamentais: ajustes na relação entre carne importada e a indústria pecuária chinesa.

Mark Zang, CEO da JinShangXu International, discute como a indústria global está mudando de uma expansão de volume para um modelo que prioriza a segurança do suprimento, o que altera as dinâmicas de preços e a competição internacional.

Um fator crítico é a previsão de que o Brasil atinja sua cota antes do fim do terceiro trimestre, o que poderá provocar mudanças nas operações logísticas e na estrutura de estoque.

Roberto Perosa observou que o preço dos cortes do dianteiro bovino subiu de US$ 5,6 mil por tonelada para US$ 7 mil, embora tenha se estabilizado. Este aumento não teve um impacto significativo na inflação da carne bovina em relação à carne suína, que ainda é a preferência nacional.

Novas percepções dos consumidores

Zang também alertou sobre a crescente preocupação dos consumidores com a segurança alimentar e a regularidade do fornecimento, um aspecto que poderá ser mais determinante do que o preço em transações futuras no setor da carne bovina.

A competitividade do setor depende agora não apenas de volume, mas da resiliência da cadeia de suprimentos e da capacidade de adaptação às novas políticas.

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