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Destilaria Alto da Cruz conquista prêmios com licores inovadores

A agroindústria se destaca no sul do Brasil com produtos locais

Mariana Souza17 de maio de 2026 às 07:05
Destilaria Alto da Cruz conquista prêmios com licores inovadores

Localizada em Canguçu, no Rio Grande do Sul, a Destilaria Alto da Cruz tem se destacado na produção de licores, recebendo, em 2025, medalhas de prata e bronze no prestigiado Brasil Cup. Mesmo com apenas três anos de atuação, a destilaria já se diferencia como a mais meridional do Brasil, ampliando as fronteiras da cultura da cachaça.

Um Novo Olhar sobre a Cana-de-açúcar no Sul

A história da Alto da Cruz é um reflexo do potencial e dos desafios da cana-de-açúcar em solo gaúcho. Embora o Rio Grande do Sul não possua extensões de canaviais como nas regiões Sudeste e Nordeste, a produção concentra-se em pequenas propriedades familiares, que utilizam a cana não apenas para cachaça, mas também para açúcar mascavo e melado, um xarope muito apreciado que se usa em diversas receitas.

O estado abriga 14.412 agroindústrias dedicadas à produção de melado, segundo o IBGE, revelando a importância social da cultura da cana na região.

Dados Importantes

Apesar de representar apenas 0,11% dos canaviais do Brasil, o Rio Grande do Sul possui o maior número de fábricas de melado no país e é o terceiro em número de cachaçarias.

Desafiando Condições Climáticas

Embora o clima do estado seja considerado um desafio para o cultivo da cana, regiões como o litoral têm se mostrado favoráveis desde a colonização portuguesa. A combinação de microclimas e o manejo adequado permitem que a cana se desenvolva, com alguns produtores alcançando até 120 toneladas por hectare, mesmo em condições adversas.

Sérgio Delmar dos Anjos, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, explica que, apesar das ocorrência de geadas, o calor do verão e a temperatura moderada do inverno podem beneficiar a maturação da cana.

Histórias de Superação e Crescimento

Os proprietários da Destilaria Alto da Cruz, Mateus Ribeiro Camargo e Débora Severo, começaram a cultivar cana inicialmente para alimentação do gado, mas decidiram investir na agroindústria devido ao legado histórico de produção de cachaça na região. Em sua propriedade de 3,5 hectares, conseguem colher 400 toneladas de cana a cada ano, produzindo aproximadamente 4.000 litros de bebidas.

Outras agroindústrias, como a Puppe, têm seguido o exemplo, utilizando variedades desenvolvidas pela Embrapa para melhorar a qualidade do melado e açúcar mascavo. O crescimento do mercado de cachaça e derivados, mesmo em meio à crise climática que reduziu a área de cultivo em 40,5% de 2015 a 2024, demonstra resiliência e adaptação dos produtores.

As inovações e o incentivo de instituições como a Emater têm ajudado a revitalizar a produção local, além de promover uma maior sustentabilidade e competitividade no setor.

Referência em Qualidade e Tradição

Com uma história rica e premiada, a Weber Haus se destaca como uma das principais fabricantes de cachaça e derivados no Brasil, produzindo em larga escala e oferecendo produtos premium apreciados internacionalmente. A empresa também está expandindo sua capacidade produtiva em uma nova fábrica, com investimentos robustos, garantindo um futuro promissor para o setor de bebidas do estado.

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