Fim do 6x1 acelera automação no varejo alimentar
Mudanças na jornada de trabalho impulsionam tecnologia e eficiência

A proposta de eliminar a escala de trabalho 6×1 no varejo alimentar tem gerado discussões focadas no aumento das despesas das empresas, mas também está levando a um impulso significativo na automação das lojas.
Com o setor movimentando R$ 1,067 trilhão anualmente, representando 9,12% do PIB nacional, a nova jornada de trabalho busca não apenas tornar as vagas mais atraentes, mas também incentivar investimentos em gestão de operações e monitoramento inteligente.
✨ O setor emprega cerca de 9 milhões de pessoas diretamente e indiretamente no Brasil.
Desafios e oportunidades na nova jornada
Especialistas acreditam que uma jornada mais equilibrada pode ser um atrativo para trabalhadores, especialmente em um setor que tradicionalmente demanda trabalho em finais de semana e feriados. A expectativa é que essa mudança minimize a rotatividade de pessoal e preserve o conhecimento dentro das equipes.
Entretanto, isso traz à tona o desafio de manter a produtividade com menos horas de trabalho disponíveis. Para Sami Diba, CEO da Neo Estech, essa transformação afetará principalmente os bastidores das operações.
Dados do Neo Estech
A Neo Estech monitora mais de 55 mil equipamentos e atende 52% do varejo alimentar brasileiro, utilizando tecnologia de sensores para otimização operacional.
Com uma plataforma que apresenta soluções baseadas em inteligência artificial, a empresa consegue prever falhas e reduzir desperdícios, contribuindo para um cenário de crescimento e eficiência energética.
"A discussão não deve se restringir a trabalhar menos horas, mas sim em como manter a qualidade e a produtividade com menor presença humana nas lojas
Novos horizontes no setor
Embora a redução da jornada de trabalho possa resultar na diminuição de alguns postos tradicionais, Diba destaca que ela também abre espaço para novas funções em áreas como tecnologia e análise de dados.
Ele observa que a automação frequentemente leva ao surgimento de posições ligadas à gestão de dados e operações remotas, promovendo uma evolução no mercado de trabalho.
Além disso, a gestão de energia, por meio da redução dos horários de operação, pode trazer uma economia significativa, que varia de R$ 36 mil a R$ 108 mil anualmente, dependendo do tipo de supermercado.
Contudo, as interrupções na supervisão humana podem aumentar os riscos operacionais, já que falhas podem passar despercebidas durante longos períodos, resultando em perdas significativas de mercadorias.
"A redução da jornada pode tornar o setor mais atrativo para os profissionais, ao mesmo tempo que acelera a automação. Aqueles que conseguirem integrar a retenção de talentos com tecnologia terão vantagens competitivas
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