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Queda nas fusões e aquisições em fertilizantes e açúcar em 2025

Mercado enfrenta desafios financeiros e geopolíticos

Ricardo Alves26 de maio de 2026 às 05:10
Queda nas fusões e aquisições em fertilizantes e açúcar em 2025

As fusões e aquisições nos setores de fertilizantes e açúcar e etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis transações, de acordo com um levantamento exclusivo da KPMG obtido pelo Valor.

No segmento de fertilizantes, o número de operações diminuiu de nove em 2024 para cinco no ano passado, enquanto no setor de açúcar e etanol, as transações despencaram de três para apenas uma em 2025.

Causas da Queda

Os desafios no setor de fertilizantes incluem elevados custos de capital, margens apertadas e riscos relacionados ao crédito e à distribuição de insumos. Apesar desse quadro desafiador, Giovana Araújo, líder setorial de agronegócio da KPMG para Brasil e Américas, acredita na possibilidade de uma recuperação em 2026.

O Brasil é altamente dependente de importações de fertilizantes, adquirindo 93% de suas necessidades em 2025.

Contexto

A crise no transporte pelo Estreito de Ormuz, exacerbada por conflitos no Oriente Médio, elevou os preços das principais commodities usadas na indústria de fertilizantes. Já a guerra entre Rússia e Ucrânia também impactou o setor, aumentando a vulnerabilidade do Brasil na segurança de fornecimento.

A demanda crescente por fertilizantes deu novo impulso à produção interna. A Petrobras, por exemplo, reativou investimentos em plantas de nitrogenados, enquanto outras empresas estão investindo em potássio e fosfatados, apoiadas pelo BNDES.

Araújo sugere que esses movimentos podem não apenas estimular fusões e aquisições, mas também promover parcerias estratégicas e verticalização do setor.

Mercado de Açúcar e Etanol

No segmento de açúcar e etanol, a queda nas fusões e aquisições está relacionada a sensibilidades como o preço das commodities e o alto nível de endividamento, principalmente nas operações de etanol de cana-de-açúcar. Araújo alerta para a possibilidade de novas quedas no curto prazo se a situação permanecer instável.

Estabilidade, eficiência e crescimento em energia sustentável são tendências relevantes no setor.

Embora haja desafios, Araújo enfatiza que a busca por eficiência operacional e a transição energética criam oportunidades para fusões e aquisições no futuro.

A KPMG observou que o perfil das transações mudou, agora focando em operações menores e mais estratégicas, em vez de grandes aquisições transformacionais. Isso inclui reestruturações, desinvestimentos e parcerias voltadas à inovação tecnológica.

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