Entidade defende que pesquisas medem intenções, não previsões.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) manifestou, nesta terça-feira, 14, sérias preocupações sobre a proposta apresentada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de instituir um selo de acurácia. A ideia visa reconhecer os institutos que mostrarem maior precisão nos resultados das eleições.
De acordo com a ABEP, essa proposta parte do pressuposto equivocado de que as pesquisas eleitorais funcionam como previsões ou promessas de resultados, quando, na verdade, servem para capturar a intenção de voto no instante da coleta de dados. A associação destacou que opiniões dos eleitores podem mudar antes do momento da votação.
"Exigir que uma pesquisa 'acerte' o resultado é confundir ciência com bola de cristal.
A ABEP também alertou para o potencial 'incentivo perverso' que essa iniciativa pode gerar, onde institutos com pouca rigorosidade em suas metodologias poderiam simplesmente ajustar seus números para se alinhar ao consenso final próximo das eleições.
✨ A avaliação da qualidade das pesquisas deve considerar rigorosidade metodológica, amostragem, transparência e boas práticas científicas.
A preocupação da ABEP se concentra na possível atuação da Justiça Eleitoral como árbitro na qualificação das pesquisas com base em um critério considerado tecnicamente inadequado. A entidade argumenta que esta abordagem ignora aspectos fundamentais da pesquisa de opinião.
O TSE já se reuniu com representantes de 16 institutos para discutir a proposta do selo de acurácia, que ainda é preliminar e poderá sofrer alterações antes de passar por votação. O selo seria concedido às empresas que apresentarem resultados mais próximos aos números reais nas urnas.
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Jornalista especializado em Política

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