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política
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André Mendonça sob investigação após contrato público polêmico

Vínculo entre instituição criada por ministro e investimentos questionáveis

Tiago Abech08 de abril de 2026 às 15:00
André Mendonça sob investigação após contrato público polêmico

O ministro André Mendonça, que assumiu o Supremo Tribunal Federal (STF) no final de 2021, está no centro de uma polêmica após a criação do Iter, um instituto que realiza atividades educacionais e recebe recursos públicos. Em julho de 2025, o Iter firmou um contrato de R$ 1,2 milhão com o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (Cioeste), gerando questionamentos sobre conflitos de interesse, pois a entidade é financiada por prefeituras.

Mendonça é sócio de 77,5% do Iter e relatou um inquérito sobre o Banco Master, alvo de investigações.

O contrato destina-se à oferta de cursos e palestras sobre direito e administração pública na escola de governo do Cioeste. A assinatura foi feita por Victor Godoy, ex-ministro da Educação e sócio do Iter, e Guto Issa, prefeito de São Roque e presidente do consórcio. São Roque é mencionado como um ponto crítico nas transações financeiras com o Banco Master.

Em 2024, a previdência municipal de São Roque investiu R$ 93 milhões em letras financeiras do Banco Master, um investimento altamente arriscado, pois esses títulos não estavam protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Apenas Maceió, com um investimento de R$ 97 milhões, superou essa quantia entre as prefeituras do país.

O Banco Master já enfrentava sérias dificuldades financeiras e foi liquidado em setembro de 2025, levando a Polícia Federal a prender seu banqueiro, Daniel Vorcaro. Os investidores recuperaram apenas valores até R$ 250 mil quando estavam cobertos pelo FGC, enquanto aqueles que investiram acima desse limite, como São Roque, sofreram grandes perdas.

Recentemente, um morador de São Roque apresentou uma ação popular contra a previdência municipal, seus gestores, o Banco Master, Daniel Vorcaro e o próprio prefeito Guto Issa, que afirma não ter controle sobre a previdência. A situação se complica ainda mais pelo fato de o Cioeste, responsável pelo contrato com o Iter, ser financiado por verbas municipais, levantando questionamentos a respeito da transação.

André Mendonça não respondeu a questionamentos enviados pela equipe de comunicação do STF sobre seu papel em relatar o inquérito do Banco Master enquanto é sócio de um instituto que se beneficiou financeiramente de prefeituras que tentaram auxiliar o banco em dificuldades. Desde a sua fundação, o Iter firmou 54 contratos com órgãos públicos, totalizando R$ 4,7 milhões, sendo o segundo maior contrato com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, no valor de R$ 466 mil.

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