ANP propõe mudanças no mercado do gás que podem favorecer crime
Nova regulamentação do gás de cozinha levanta preocupações sobre segurança pública

As novas propostas da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para o mercado de gás de cozinha podem criar um ambiente propício para o crime organizado, conforme alerta um estudo da USP (Universidade de São Paulo).
A pesquisa destaca os riscos à segurança pública decorrentes da diminuição da fiscalização que essas mudanças podem acarretar.
Principais propostas da ANP
- 1Flexibilização do enchimento de botijões de diferentes marcas por qualquer distribuidora.
- 2Autorização para enchimento fracionado em centrais remotas, inclusive em áreas urbanas.
- 3Substituição do sistema de rastreabilidade atual, que utiliza marcação em alto-relevo, por soluções eletrônicas ainda não testadas.
A ANP justifica essas propostas como meios para aumentar a concorrência e melhorar o acesso ao produto. No entanto, o estudo da ESEM-USP aponta que essa flexibilização pode desvirtuar a cadeia de custódia e reduzir a responsabilização dos envolvidos.
✨ Estima-se que entre 70% a 80% do varejo de botijões no Rio de Janeiro seja controlado por milícias e facções.
A pesquisa também menciona a Operação Carbono Oculto, que expôs um esquema do PCC (Primeiro Comando da Capital) que movimentou R$ 52 bilhões no mercado de combustíveis, utilizando empresas de fachada para lavagem de dinheiro.
Além disso, menciona o Caso Tankgás, onde tentativas de contornar a legislação para o enchimento de botijões sem garantias de segurança resultaram em concorrência desleal.
Exemplos internacionais de falhas regulatórias
O estudo compara a situação brasileira a falhas regulatórias em outros países, como o México e Equador, onde a falta de fiscalização teve consequências negativas para a segurança e a economia.
Contexto
A ANP teve uma redução de 82% em seu orçamento discricionário entre 2013 e 2025, o que compromete seu papel de fiscalização no setor.
Pesquisadores ressaltam que qualquer mudança regulatória deve ser precedida de um fortalecimento da capacidade estatal. Em nota, a ANP afirmou que está realizando estudos para avaliar as alternativas regulatórias, ressaltando que ainda não foram apresentadas propostas definitivas.
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