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política
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Candidaturas indígenas desafiam garimpo e agronegócio no Pará

Movimentos indígenas planejam aumentar representação no Congresso em 2026

Carlos Silva22 de abril de 2026 às 09:25
Candidaturas indígenas desafiam garimpo e agronegócio no Pará

Eleitores no Pará terão à disposição diversas opções nas eleições de 2026, incluindo candidatos que defendem interesses do garimpo ilegal e do agronegócio. Diante dessa realidade, novas alternativas, como as pré-candidaturas indígenas, surgem como resposta organizada ao longo da última década.

Desde 2017, no Acampamento Terra Livre (ATL), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) trabalha para aumentar a presença indígena no Congresso, especialmente ante a pressão de setores do agronegócio e da mineração. Essa estratégia já resultou em conquistas, como a eleição de Joenia Wapichana, a primeira mulher indígena na Câmara, em 2018, e o fortalecimento da presença indígena com Sônia Guajajara e Célia Xakriabá em 2022. Para 2026, a expectativa é promover uma disputa com um alcance ainda maior.

Pré-candidatas como Alessandra Munduruku (PT) e Auricélia Arapiun (PSOL) estão se destacando na luta contra projetos que ameaçam a Amazônia.

Alessandra Munduruku, candidata a deputada federal, já se mostrou uma crítica contundente à exploração da Amazônia. Ela participou efetivamente de mobilizações que resultaram na revogação do Decreto 12.600/2025, que planejavam explorar mais de 3 mil quilômetros de rios amazônicos. Juntamente com diversos povos indígenas, bloqueou o escoamento de grãos em Santarém, demonstrando a força da resistência indígena.

Auricélia Arapiun, por sua vez, tem liderado ações na mesma região, organizando protestos contra o garimpo e grandes projetos logísticos. Sua atuação se intensificou após ameaças recebidas desde 2018, e ela fez declarações fortes sobre a responsabilidade do governo estadual pelas consequências fatais da exploração na região. Em sua visão, a luta popular é a única maneira de provocar mudanças.

Planejamento e mobilização indígena

O recente Acampamento Terra Livre em Brasília evidenciou um crescimento da mobilização eleitoral entre os indígenas, com mais de vinte pré-candidaturas anunciadas. Os nomes incluem Neidinha Suruí, Sônia Guajajara e diversos outros representantes de diferentes estados, todos buscando competir para as câmaras legislativas e reforçar a voz indígena no Congresso, especialmente frente a projetos que ameaçam seus direitos.

Com a PEC 48/2023 e outras propostas em trâmite, a necessidade de uma representação forte é clara. Essas medidas querem restringir demarcações e abrir terras para exploração econômica, o que comprometeria direitos fundamentais dos povos indígenas.

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Somente a luta popular, somente a nossa resistência e o nosso enfrentamento é capaz de mudar a realidade

Auricélia Arapiun

A presença indígena no Congresso é uma novidade recente, que começou a se consolidar a partir da eleição de Joenia Wapichana em 2018. A realidade dos 1,69 milhão de indígenas em diversas etnias no Brasil demanda uma representação eficaz na tomada de decisões que afetam seus territórios e modos de vida.

Por isso, escolher candidatos indígenas não se trata apenas de apoiar uma causa, mas de garantir que as vozes dos que vivem nos territórios afetados sejam ouvidas nas decisões que moldam seu futuro.

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