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política
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Estudo revela benefício econômico da Tarifa Zero no transporte público

Medida pode injetar bilhões na economia e ajudar na inclusão social.

Camila Souza Ramos05 de maio de 2026 às 05:15
Estudo revela benefício econômico da Tarifa Zero no transporte público

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontou que a implementação da gratuidade no transporte público nas capitais e regiões metropolitanas poderia resultar em uma economia de R$ 45,6 bilhões anualmente para os usuários.

A pesquisa, apoiada pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero e pela Fundação Rosa Luxemburgo, destaca que, ao eliminar essa despesa, os trabalhadores teriam mais recursos para gastar em supermercados, farmácias e serviços, beneficiando assim a economia local.

Impacto Econômico e Social da Tarifa Zero

Coordenado pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB, o estudo foi divulgado recentemente e revela que a tarifa zero pode ser um importante instrumento para a distribuição de renda e redução das desigualdades sociais. Ao incluir R$ 14,7 bilhões referentes a isenções já existentes para idosos e pessoas com deficiência, o impacto potencial na economia chegaria a R$ 60,3 bilhões por ano.

A pesquisa utiliza dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade (PEMOB 2024) e revela que o valor médio das passagens no Brasil é de cerca de R$ 4,50, com estimativas de economia diária entre R$ 8 a R$ 10 por trabalhador.

A gratuidade poderia transformar a mobilidade urbana, principalmente para as populações mais vulneráveis.

Desafio Cultural e Político

Os pesquisadores também discutem a resistência à Tarifa Zero, destacando que essa resistência é sustentada por interesses de classe. Segundo Trindade, a percepção de que o transporte deve ser pago está enraizada culturalmente, limitando a mobilidade de pessoas de baixa renda.

As mudanças no sistema de transporte público foram impulsionadas a partir de 2015, quando o direito à mobilidade foi incluído na Constituição através de uma emenda proposta pela deputada Luiza Erundina, em resposta às manifestações de 2013.

Alternativas de Financiamento

Outra pesquisa publicada em novembro de 2025 sugere que as empresas poderiam ajudar a financiar a Tarifa Zero por meio de uma contribuição mensal por funcionário, estabelecendo um modelo inspirado na legislação francesa. Com essa contribuição estimada em R$ 250, seria possível arrecadar até R$ 80 bilhões anualmente, o que cobriria os custos da gratuidade.

Embora uma gratuidade focalizada apenas para a população de baixa renda viesse a custar R$ 58 bilhões por ano, os autores ressaltam que a implementação universal da Tarifa Zero é mais eficaz para promover inclusão e igualdade no acesso ao transporte público.

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