Deputado aponta conexão entre a família Bolsonaro e tentativas de obstrução de investigações

Na última sexta-feira (30), o deputado federal Lindbergh Farias (PT) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que integrate a decisão dos Estados Unidos de categorizar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas no processo envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O pedido ocorre em meio a investigações sobre possíveis ações coercitivas do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Farias, essa classificação externa reforça uma suposta relação entre Eduardo, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo, insinuando que eles têm tentado pressionar instituições brasileiras e dificultar o avanço das apurações financeiras em andamento. O deputado considera que esse movimento tem como foco obstruir a transparência dos processos investigativos.
✨ Lindbergh Farias argumenta que a inclusão das facções na lista de terroristas afeta a soberania nacional do Brasil.
A proposta de Lindbergh sugere que, ao classificar o crime organizado sob uma legislação antiterrorista, certos procedimentos judiciários poderiam ser transferidos de uma cooperação penal comum para um sistema baseado em segurança nacional, que possui regulamentações mais restritivas sobre a disponibilização de informações.
O deputado ressaltou que essa classificação exerceria um impacto de duplo efeito: além de permitir que uma nação estrangeira interfira na esfera de atuação das instituições e políticas públicas brasileiras, poderia também reduzir a eficácia das investigações sobre crimes financeiros, que teriam seu tratamento deslocado para esferas de inteligência.
Lindbergh ainda alegou que figuras próximas a Jair Bolsonaro estariam tentando dificultar o rastreamento de recursos financeiros que poderiam ter financiado as ações de Eduardo, que se encontra nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, por supostamente articular sanções contra o Brasil durante sua estadia.
"“A mobilização de um governo estrangeiro para impor sanções é uma afronta à nossa soberania nacional”, declarou Lindbergh.
A inclusão de novos indícios na investigação do STF já havia sido solicitada por Lindbergh, que agora deseja que o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro também sejam incluídos nesse escopo de apurações.
Recentemente, foi levantado que Daniel Vorcaro, operando o Banco Master, teria financiado projetos relacionados a Jair Bolsonaro, com o capital possivelmente redirecionado para cobrir as despesas de Eduardo nos Estados Unidos. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, já recebeu o pedido para ampliação da investigação pela Procuradoria-Geral da República.
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Jornalista especializado em Política

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