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política
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Polêmica sobre filme de Bolsonaro envolve suspeitas de desvio de verbas

Investigação aponta possíveis ligações entre financiamento e contratos públicos

Tiago Abech04 de junho de 2026 às 17:20
Polêmica sobre filme de Bolsonaro envolve suspeitas de desvio de verbas

A produção de um filme sobre a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 se torna um verdadeiro labirinto para a família Bolsonaro, especialmente para Flávio, o filho mais velho, que é pré-candidato à Presidência. Recentemente, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está disposto a colaborar com uma nova delação premiada, revelando informações sobre o financiamento da obra.

O estúdio responsável pela produção, liderado por uma empresária evangélica bolsonarista, foi alvo de uma operação policial em São Paulo e pode se tornar um foco de investigação em nível federal. A defesa de Bolsonaro argumenta que o filme foi financiado com recursos privados, o que, segundo eles, afastaria qualquer suspeita de irregularidade.

Suspeitas crescem em relação a um possível uso de verba pública para financiar o filme.

No entanto, evidências sugerem que recursos públicos podem ter sustentado a cinebiografia, que deve ser lançada em setembro. Entre as evidências, destaca-se um contrato de 108 milhões de reais firmado com uma empresa da produtora Karina Ferreira da Gama. A polícia investigou Gama e sua ONG após o contrato, que foi estabelecido sem licitação para a implantação de pontos de Wi-Fi em São Paulo, serviço que ainda não foi executado.

Cronologia das Conexões

A linha do tempo entre o contrato e as negociações para a reeleição do prefeito Ricardo Nunes revela semelhanças preocupantes. Na semana anterior à assinatura do contrato, Bolsonaro e Nunes almoçaram, buscando um entendimento político para a chapa reeleitoral.

Outras reuniões continuaram a fortalecer essa aliança. Em uma dessas ocasiões, Nunes conversou com o senador Ciro Nogueira, que agora deve acomodar o coronel Mello Araújo como vice, conforme a vontade de Bolsonaro. A movimentação em torno do contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que deveria implementar o projeto Wi-Fi, passou a ser intensificada.

Contratação do ICB foi apressada e realizada sem concorrentes.

Um parecer da Secretaria Municipal de Inovação, assinado por uma funcionária próxima de Bruno Lima, o secretário responsável, atestou a compatibilidade da contratação com a lei. Entretanto, ela não fazia parte do quadro de servidores de carreira, levantando questões sobre sua imparcialidade.

Além disso, novas descobertas da investigação indicam que o ICB havia subcontratado diversas empresas, complicando ainda mais o rastreamento dos recursos públicos. A polícia observa que o modelo de subcontratações pode ter sido uma estratégia para ocultar o destino do dinheiro público.

Repercussões e Investigações

Voltando ao escândalo do filme, surgem reivindicações para que investigações mais profundas sejam feitas sobre as contas de Karina Ferreira da Gama e seu Instituto. No centro das atenções, o ex-ator e deputado federal Mario Frias, que se relacionou diretamente com a produção do filme, está sendo investigado por conexões com a política de São Paulo e o uso de emendas para financiar a ONG de Gama.

Procuradores e delegados temem desvio de dinheiro público para interesses pessoais.

Em meio a tantas investigações e conexões, o clima de suspeita se intensifica em torno das transações que unem a produção do filme ao uso de recursos públicos, levando a um cenário de inquietude entre as autoridades e a população.

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