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política
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Reflexões sobre o impeachment de Dilma e a memória militar

Uma análise dos desdobramentos e do papel dos militares após 2016

Gabriel Rodrigues16 de junho de 2026 às 11:25
Reflexões sobre o impeachment de Dilma e a memória militar

Os aniversários trazem à tona memórias que, com o tempo, podem ser compreendidas de maneira diferente. A sessão da Câmara dos Deputados de 17 de abril de 2016, e o envolvimento dos militares nesse contexto, agora ganham novos contornos quase uma década após o impeachment de Dilma Rousseff.

Jair Bolsonaro, ao votar contra a presidente, fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, figura emblemática da repressão. Esse ato simbolizou uma nova moralidade pública que celebra a ditadura, invertendo a tradição que pedia para esquecer o passado. Essa postura não foi um ato isolado, mas sim parte de um movimento maior de antimemória que foi gestado ao longo de anos.

Desde o processo de redemocratização, as Forças Armadas mostraram resistência a iniciativas voltadas para a memória e a proteção dos direitos humanos. As denúncias de parentes de desaparecidos e os esforços de grupos como o Tortura Nunca Mais foram rejeitados categoricalmente, e as comissões estabelecidas nos anos 1990 até 2000, como a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão de Anistia, não foram bem recebidas pelos militares.

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As Forças Armadas começaram a se sentir marginalizadas com cada nova ação do Estado a respeito dos legados da ditadura.

A tensão aumentou com o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos em 2009, que provocou uma crise no governo Lula, culminando na ameaça de demissão coletiva dos líderes militares. Assim, a relação entre os militares e o governo se deteriorou.

Em 2012, a criação da Comissão Nacional da Verdade pela presidente Dilma Rousseff acirrou ainda mais as tensões, colocando o Estado na posição de investigar e nomear torturadores, o que era inédito até então.

General Sérgio Etchegoyen ressaltou que a relação entre as Forças Armadas e a presidência da República se tornou insustentável, com os militares enfatizando a importância de manter a ordem e os costumes que consideravam nativos a sua identidade.

O descontentamento militar se manifestou publicamente, tornando a celebração da ditadura uma questão comum entre diversos segmentos da sociedade. A ideia da 'ordem' buscada durante os protestos de 2013 a 2015 gerou um clima de reação, onde a restauração de valores conservadores se tornou imprescindível para muitos.

Contrariando a percepção comum, o golpe contra Dilma em 2016 não foi resultado de uma 'sociedade sem memória', mas sim de uma profunda reação dos militares contra os avanços em termos de reconhecimento dos direitos humanos. O retorno ao palco público por parte dos militares, agora sem constrangimentos, demonstra que sua presença neste ato não foi uma surpresa, mas sim uma resposta ao ritmo da redemocratização.

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