Argentina Reavalia Passado em Grande Manifestação Contra Políticas de Milei
Comemoração do 50º aniversário do golpe de 1976 convoca multidão em Buenos Aires e revela tensões entre passado e presente.

No dia 24 de março, a Praça de Maio, em Buenos Aires, foi palco de uma manifestação imponente em memória aos 50 anos do golpe militar de 1976. Com uma diversidade significativa de participantes, o evento se destacou não apenas pela quantidade, mas pela profundidade das mensagens transmitidas.
O cenário refletiu uma análise crítica do atual modelo econômico proposto pelo presidente Javier Milei, que, segundo os manifestantes, ecoa as diretrizes da ditadura. O ato não foi apenas uma lembrança do passado, mas um alerta para o presente.
Um alerta à memória histórica
A manifestação se desenrolou em um marco significativo, dois anos após o início do governo de Milei, que tem se posicionado contra a memória histórica do terrorismo de Estado. Os discursos presentes ressaltaram uma analogia direta entre as políticas do passado e as atuais.
"Esse programa econômico não é novo. É uma reedição da lógica de Martínez de Hoz - Carlos Heller
✨ A crítica afirmativa de Milei: um modelo questionável.
Ressurgência de um Debate Antigo
As comparações entre o atual governo e a ditadura militar enfatizam os riscos de desindustrialização e aumento da desigualdade.
O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, também se manifestou, relembrando que o país já experimentou essas estratégias, resultando não apenas em crises econômicas, mas na marginalização de grandes setores sociais.
A mobilização atraiu milhares de argentinos, muitos organizados em colunas representando grupos peronistas, esquerdistas e outros setores que defendem a história dos direitos humanos. Os lenços brancos, símbolo das Mães da Praça de Maio, eram visíveis em meio à multidão e guardavam a memória dos desaparecidos.
"Que Milei e sua turma saibam que eles não nos derrotaram - Taty Almeida
O governo atual tem tentado minimizar a importância do golpe de 1976, reescrevendo a narrativa histórica. Contudo, essa tentativa é contestada por especialistas e críticos, apontando que o golpe ocorreu sem uma real ameaça militar.
✨ O atual modelo econômico: continuidade com o passado.
- 1Desarticulação de sindicatos
- 2Liberalização abrupta da economia
- 3Políticas de ajuste fiscal rígidas
- 4Desregulamentação financeira
Perspectivas Futuras
A manifestação de 24 de março não apenas honrou os desaparecidos, mas reativou um importante debate sobre o modelo econômico na Argentina e suas implicações para o futuro.
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Ricardo Alves
Jornalista especializado em política
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