Tarifa de 25% dos EUA gera tensão nas relações com o Brasil
Mauro Vieira critica imposições em negociações comerciais

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros devido à recusa do Brasil em aceitar condições desfavoráveis durante as negociações. Segundo ele, houve uma demanda para a abertura total de setores da economia brasileira sem qualquer contrapartida.
Em declarações feitas no Palácio do Itamaraty, Vieira expressou que a insatisfação do governo norte-americano se deu porque o Brasil não cedeu a "pretensões desmedidas" e "demandas irrazoáveis", que ele classifica como tentativa de "capitulação" nas tratativas comerciais.
✨ Desde março de 2025, o Brasil participou de mais de 30 reuniões com os Estados Unidos sobre acordos comerciais.
O chanceler destacou que houve 11 contatos diretos com Marco Rubio, secretário de Estado, e Jamierson Greer, Representante Comercial dos EUA. Além disso, Vieira contestou a legalidade da tarifa, criticando o uso da Seção 301 como uma manobra para contornar decisões da Suprema Corte americana que impediam tarifas unilaterais, como a taxa de 50% aplicada em julho do ano passado.
Além disso, Vieira defendeu a legitimidade das práticas comerciais brasileiras e afirmou que não prejudicam o comércio estadounidense. Ele destacou o sistema de pagamentos Pix, mencionando-o como uma inovação pública acessível a todas as instituições no Brasil e rejeitou acusações relacionadas ao desmatamento, informando que os índices na Amazônia e no Cerrado tiveram uma significativa redução desde 2022.
A posição do Brasil foi divulgada após o anúncio da tarifa na noite da quarta-feira (15) e, nos bastidores, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute a melhor forma de resposta. Duas possibilidades estão em pauta: trabalhar com a Lei de Reciprocidade contra os EUA ou continuar as negociações diplomáticas iniciadas após o aumento das tensões em julho de 2025.
Contexto
A nova tarifa de 25% representa uma escalada de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que poderá impactar as relações comerciais bilaterais e os acordos existentes.
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