Brasil expressa indignação sobre investigação dos EUA e possíveis tarifas
Governo rebate acusações e aponta superávit em relações comerciais

O governo brasileiro expressou, nesta terça-feira (2), sua 'profunda indignação' com a conclusão inicial de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que investiga práticas comerciais consideradas desleais e pode acarretar tarifas sobre produtos nacionais.
Em nota oficial, que o blog teve acesso, o Itamaraty revelou que a investigação foi impulsionada por 'provocações da família Bolsonaro' e interpretada como uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.
✨ Investigações do USTR podem resultar em tarifas sobre produtos brasileiros.
Tensões em torno do PIX e superávit comercial
Um dos focos principais da tensão é a menção ao PIX nas recomendações preliminares dos EUA. O governo brasileiro defende que o sistema é uma infraestrutura pública, gratuita e neutra, e salienta que empresas americanas já estão inseridas nesse ambiente.
Brasileiros também apresentaram dados que favorecem os EUA, mostrando que, ao longo dos últimos 15 anos (2011-2025), os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões nas transações com o Brasil, sendo que, em 2025, o saldo positivo foi de US$ 40,52 bilhões apenas no último ano.
Atualmente, 76% das importações dos EUA entram no Brasil sem taxas, com uma alíquota média de apenas 3,1%.
Argumentos sobre meio ambiente e propriedades intelectuais
O Brasil utilizou dados técnicos para contestar as justificativas do USTR. Em relação ao meio ambiente, o governo afirma que o desmatamento na Amazônia Legal caiu aproximadamente 50% em comparação a 2022 e a área queimada no país diminuiu 40% em 2025.
Sobre o sistema de patentes, os EUA são os principais beneficiários no Brasil, respondendo por 30% dos pedidos, com royalties pagos aos americanos dobrou entre 2020 e 2024, chegando a US$ 1,38 bilhão.
Em relação ao etanol e açúcar, o Brasil observa que, enquanto é receptivo ao etanol americano, o açúcar brasileiro enfrenta tarifas de até 80% para entrar nos EUA.
Impactos nas exportações e a possibilidade de 'Lei de Reciprocidade'
A incerteza já está afetando os negócios; no primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, nível mais baixo já registrado.
Apesar das tensões, existe uma busca por uma solução diplomática. Os presidentes Lula e Trump se reuniram em 7 de maio e estabeleceram um prazo até 15 de julho para que as negociações tarifárias possam resolver a investigação sem aplicar sanções.
Caso as tarifas sejam implementadas, o Brasil indicou que poderá acionar a Lei de Reciprocidade, que permite ao governo impor medidas contra injustiças comerciais que ocorram fora das normas internacionais.
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