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Saúde
3 min de leitura

Epidemia de ebola é declarada na RDC com 91 mortos

A situação alarmante faz com que a OMS declare emergência sanitária

Tiago Abech18 de maio de 2026 às 09:05
Epidemia de ebola é declarada na RDC com 91 mortos

Uma nova epidemia de ebola foi oficialmente reconhecida na República Democrática do Congo (RDC) no dia 15 de dezembro, levantando sérias preocupações globais diante do elevado número de fatalidades já registrados.

Atualmente, 91 mortes foram notificadas, com aproximadamente 350 casos suspeitos também sendo investigados. Este surto, que afeta majoritariamente mulheres jovens e adultos entre 20 e 39 anos, ocorre em um contexto de dificuldades na confirmação labora­atorial, levando as autoridades a basear suas estatísticas principalmente nos casos suspeitos.

Epicentro e Desafios

A província de Ituri, localizada no nordeste da RDC e próxima às fronteiras de Uganda e Sudão do Sul, é o epicentro da epidemia. A região, rica em atividades mineradoras, é marcada por deslocamentos populacionais intensos e por conflitos armados, o que tem dificultado o acesso das equipes de saúde às áreas afetadas.

O vírus Ebola apresenta uma taxa de mortalidade entre 30% e 50% para a cepa Bundibugyo, que é a responsável pelo atual surto.

Além disso, há relatos de que o vírus já se moveu para fora da RDC, com duas mortes registradas em Uganda entre indivíduos que viajaram da região afetada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o risco de propagação para países vizinhos é elevado.

Desafios na Prevenção

A cepa de Bundibugyo, causadora deste surto, não possui vacina ou tratamento específicos, e as medidas de controle dependem de práticas preventivas rigorosas e da identificação rápida de casos. Importante nota é que as vacinas disponíveis são eficazes apenas contra a cepa Zaire, que não é a causadora deste surto mais recente.

O recente histórico de epidemias de ebola na RDC revela uma brutal letalidade, onde a epidemia de 2018-2020 resultou em quase 2.300 mortes. Especialistas estão particularmente preocupados com a velocidade de propagação desta nova epidemia, considerando as peculiaridades da região e sua densidade populacional.

Investigação Epidemiológica

A origem da epidemia ainda está sob investigação, tendo sido identificado um enfermeiro como o primeiro caso conhecido. No entanto, o verdadeiro foco da infecção pode estar na localidade de Mongbwalu, a cerca de 90 km de onde o primeiro paciente buscou atendimento médico. As primeiras reclamações sobre doenças com alta taxa de mortalidade levaram a OMS a ser alertada em 5 de maio, após a morte de quatro profissionais de saúde em rápida sucessão.

Os sintomas iniciais do ebola com a cepa Bundibugyo podem ser confundidos com gripe, dificultando ainda mais a rápida identificação do surto.

A resistência local e a crença em explicações místicas sobre a doença dificultaram o engajamento das comunidades em busca de assistência médica, uma vez que muitos preferiram se dirigir a centros religiosos em vez de clínicas de saúde.

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