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Saúde
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Fiocruz patentear método inovador contra malária resistente

Novo tratamento com composto promissor é direcionado a cepas resistentes.

Gabriel Azevedo07 de maio de 2026 às 21:20
Fiocruz patentear método inovador contra malária resistente

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve a patente de um novo método de tratamento que utiliza um composto promissor no combate à malária, especialmente em casos de resistência a medicamentos convencionais.

Concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO), a patente envolve inventores da unidade da Fiocruz em Minas Gerais, o Instituto René Rachou.

O método utiliza o composto DAQ, que demonstra eficácia contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, o parasita causador das formas mais graves da malária.

De acordo com os pesquisadores, a grande inovação do DAQ é sua capacidade de superar os mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita. Embora essa molécula não seja nova, pois sua atividade antimalárica foi descoberta na década de 1960, a equipe da Fiocruz, liderada pela pesquisadora Antoniana Krettli, reavaliou seu potencial aplicando novas abordagens da química e biologia molecular.

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Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita

Wilian Cortopassi, pesquisador da Fiocruz.

O DAQ atua de forma similar à cloroquina, interferindo em processos vitais para a sobrevivência do parasita. Ele bloqueia a capacidade do Plasmodium de neutralizar substâncias tóxicas produzidas durante a digestão da hemoglobina, resultando na morte do parasita.

Os resultados mostraram uma ação rápida do DAQ nas fases iniciais da infecção, além de eficácia contra cepas tanto sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum. Os cientistas também observaram resultados encorajadores contra o Plasmodium vivax, que é responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil.

Outro aspecto importante é o baixo custo potencial do DAQ, uma característica vital para países de baixa e média renda, onde a malária é endêmica.

Colaborações

Os estudos contaram com parcerias da University of California San Francisco (UCSF), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Novos estudos avançam em colaboração com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Apesar dos resultados promissores, o caminho para o desenvolvimento do DAQ como uma medicação ainda necessitará de várias etapas, como testes de toxicidade e definição de doses seguras.

Patenteada em março deste ano, a proteção se estenderá até 5 de setembro de 2041. Krettli destaca que a infraestrutura da Fiocruz será um facilitador nas futuras fases de desenvolvimento do tratamento.

A atuação da Fiocruz na Amazônia, focada em diagnóstico e acompanhamento de pacientes, aliado à experiência em testes clínicos, pode acelerar a obtenção de novos medicamentos.

Os pesquisadores alertam que, mesmo com os tratamentos disponíveis, o parasita da malária continua a evoluir, tornando urgente o desenvolvimento contínuo de novas opções terapêuticas para prevenir uma futura escassez de medicamentos eficazes.

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