Neurocientista alerta para os riscos do consumo digital excessivo

O uso excessivo de telas está afetando a concentração e a capacidade de reflexão em crianças e adolescentes, levando a um questionamento sobre a relação desse comportamento com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
O neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues aponta que existe uma crescente confusão entre sintomas neurocomportamentais causados pela hiperestimulação digital e transtornos neuropsiquiátricos genuínos.
✨ Crianças expostas a estímulos digitais constantes podem ter dificuldades em avaliar seu próprio desempenho escolar.
Rodrigues explica que a metacognição, a capacidade de refletir sobre o próprio pensamento, pode ser prejudicada pela constante exposição a recompensas instantâneas, o que fragmenta a atenção e dificulta a supervisão da performance escolar.
A rápida sucessão de estímulos do ambiente digital ativa circuitos dopaminérgicos que estão relacionados ao sistema de recompensa. Isso leva a um funcionamento do cérebro que preza mais pelo estímulo imediato e menos pela reflexão e tolerância ao tédio, afetando tanto a memória quanto a capacidade de autorreflexão.
"O cérebro passa a funcionar num modelo de estímulo-resposta. Há redução da tolerância ao tédio e perda da capacidade contemplativa
Essa situação é visível na dificuldade que muitos estudantes têm em avaliar seu desempenho após provas escolares, um sinal do enfraquecimento da memória de trabalho e do processamento consciente.
Apesar de o TDAH ter critérios clínicos bem definidos, o especialista alerta sobre a medicalização de crianças cujos sintomas podem ser resultado da sobrecarga digital. Sugestões de que toda desatenção se relaciona ao TDAH podem ocultar problemas mais profundos, como o cansaço mental da exposição excessiva à tecnologia.
Rodrigues ainda destaca a perda do que ele chama de 'tédio saudável', um estado fundamental para a criatividade e introspecção, agora quase completamente substituído pelo uso constante de dispositivos móveis.
✨ Períodos sem estímulos são essenciais para promover a criatividade e a autorreflexão.
Para mitigar os efeitos negativos do uso excessivo de telas, é crucial equilibrar a exposição à tecnologia com atividades analógicas, como leitura, esportes e interações sociais. Rodrigues defende que a questão não é a tecnologia em si, mas a maneira como ela é consumida.
"Sem silêncio cognitivo, não existe profundidade reflexiva
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Jornalista especializado em Saúde

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