Tecnologia ajuda a otimizar processos, mas gera riscos de exclusão

Cerca de 87% das empresas globalmente já incorporaram inteligência artificial (IA) em seus processos de recrutamento. No segmento de recursos humanos, 65% dos profissionais vêm utilizando essa tecnologia com objetivos bem definidos, como economizar tempo (44%), aprimorar a busca por candidatos (58%) e reduzir custos de contratação, conforme um relatório da Demandsage.
Em processos seletivos com um grande volume de candidaturas, principalmente para vagas de estágio e programas de trainee, a IA tem desempenhado funções como a triagem de currículos e a organização de dados, influenciando decisões que antes eram totalmente humanas. Apesar dos ganhos de eficiência, a tecnologia também apresenta desafios preocupantes.
✨ Candidatos com potencial podem ser descartados antes da avaliação humana devido a filtros automáticos.
Ana Eliza Silva, especialista em RH da Companhia de Estágios, ressalta que essa dependência de dados históricos e palavras-chave pode prejudicar jovens que não possuem um currículo robusto. "A IA identifica padrões em dados objetivos como formação e localização, mas para estagiários, muitos ainda não acumularam um histórico profissional significativo. O perigo é que a tecnologia reproduza desigualdades sociais ao se basear em dados históricos enviesados", afirma Ana Eliza.
É crucial revisar continuamente os critérios utilizados pelos sistemas automatizados e garantir que haja supervisão humana nas fases críticas do recrutamento. Na Companhia de Estágios, por exemplo, critérios como análise comportamental e adequação cultural dos candidatos são integrados ao processo para ampliar a avaliação além dos simples dados cadastrais.
✨ Competências como curiosidade e resiliência não são facilmente capturadas por algoritmos.
Ana Eliza destaca que certas competências, como curiosidade e postura diante de desafios, manifestam-se mais em interações humanas do que em currículos. Além disso, a experiência do candidato durante o processo seletivo é fundamental. Comunicar uma reprovação apenas como resultado de uma decisão algorítmica pode impactar negativamente a imagem da empresa, principalmente junto aos jovens que valorizam transparência.
Segundo a especialista, o ideal é informar que a seleção foi auxiliada por tecnologia, mas que existe um método com participação humana por trás.
A automação das tarefas repetitivas no recrutamento redefine as expectativas em relação aos profissionais de recursos humanos. A responsabilidade agora é maior para recrutadores que devem construir relacionamentos, cultivar a cultura organizacional e representar a marca empregadora de maneira autêntica. A consultoria Gartner aponta que a IA está avançando, especialmente nas seleções de grande volume, e que os profissionais de RH estão migrando para funções mais relacionais e complexas.
✨ Recrutadores passam de avaliadores a embaixadores da marca.
Ana Eliza observa que os novos talentosos profissionais desejam propósito e oportunidades de aprendizado. Ignorar essas necessidades pode resultar na perda de talentos antes mesmo de seu desenvolvimento. O recrutador, que antes atuava como um mero avaliador, agora também deve se posicionar como um embaixador da empresa. A autenticidade na comunicação entre discurso e cultura organizacional é essencial para a atração de talentos.
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Jornalista especializado em Tecnologia

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