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USP desenvolve enzima sustentável para branqueamento de papel

Inovação usa fungo e resíduos agrícolas para reduzir toxinas na celulose

Carlos Silva12 de abril de 2026 às 11:10
USP desenvolve enzima sustentável para branqueamento de papel

Um grupo de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou uma enzima que pode revolucionar o branqueamento de papel, utilizando um fungo cultivado em resíduos agrícolas.

Tradicionalmente, o branqueamento da polpa de celulose é realizado com produtos químicos à base de cloro, como o dióxido de cloro, que são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana. A nova tecnologia não apenas evita esses compostos tóxicos, mas também utiliza a xilanase, uma proteína com alta estabilidade térmica, extraída do fungo Aspergillus caespitosus.

A enzima facilita a remoção da xilana na polpa de celulose, aumentando a alvura e melhorando a eficiência do branqueamento.

Importância da pesquisa para a indústria

A proposta oferece uma abordagem mais sustentável para o setor papeleiro, crucial considerando que o Brasil é um dos principais produtores de celulose de eucalipto no mundo. "Com tecnologias de branqueamento mais limpas, podemos reduzir a carga química do processo", afirma Diandra de Andrades, a primeira autora do projeto.

Contexto

A pesquisa foi realizada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com apoio da Fapesp, e integra as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol.

Desenvolvimento e fermentação

As pesquisadoras cultivaram o fungo em bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, aproveitando esses materiais de baixo custo e alta eficiência. O pré-tratamento do bagaço com hidróxido de sódio aumentou a produção de xilanase, enquanto o farelo não necessitou de pré-tratamento devido à sua boa disponibilidade de carbono.

O uso desses resíduos se alinha ao conceito de bioeconomia circular, promovendo sustentabilidade na indústria.

Desafios e perspectivas futuras

Embora a xilanase não suporte altas temperaturas sozinha, estudos indicam que sua resistência a cerca de 60 °C pode permitir sua utilização nas últimas etapas do branqueamento, complementando processos químicos tradicionais. O grupo agora investiga maneiras de imobilizar a enzima para aumentar sua reutilização e resistência térmica.

As nanopartículas magnéticas, em combinação com nanocelulose, são vistas como uma solução promissora para aproveitar as enzimas em diversos setores, incluindo a produção de bioetanol, destacando ainda mais o potencial da biodiversidade brasileira em biotecnologias sustentáveis.

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