Executivos pedem reestruturação financeira do setor e apoio governamental

A crise econômica que afeta o transporte público no Brasil se tornou o maior impedimento à recuperação da mobilidade nas cidades, caracterizada por uma diminuição do número de passageiros e a dificuldade em manter as operações.
Durante o evento CNN Talks, realizado em 12 de dezembro, líderes do setor de transporte apresentaram propostas para a reformulação das fontes de financiamento. Eles pedem um maior envolvimento do governo para reverter a deterioração do papel do transporte público nas cidades.
✨ A diretora do BNDES, Luciana Aparecida da Costa, sugere que o Brasil pode replicar o sucesso do novo marco de saneamento de 2020 no setor de mobilidade urbana.
Costas afirmou que uma estrutura clara de financiamento pode desbloquear investimentos e proporcionar previsibilidade a projetos de transporte coletivo. Ela sugeriu que um novo marco poderia incluir a participação da União no financiamento do transporte público.
Um estudo do BNDES ressaltou a existência de 187 projetos de mobilidade urbana que precisam de R$ 430 bilhões em investimentos ao longo de três décadas. A principal dificuldade é criar condições para avançar com esses projetos em um cenário de baixa demanda.
Até 2023, o BNDES não se envolvia no financiamento de ônibus urbanos; agora, ele se tornou o maior financiador desse modal na América Latina, ampliando as opções de crédito em resposta à crise do transporte coletivo.
Edmundo Pinheiro, presidente da Associação Nacional de Transportes Urbanos, destacou que a infraestrutura urbana enfrenta um déficit significativo de investimentos. Hoje, o Brasil produz cerca de 10 mil ônibus urbanos anualmente, enquanto a indústria poderia facilmente aumentar essa produção para 50 mil, se houvesse um ambiente econômico favorável.
"A perda de passageiros é um reflexo da qualidade do serviço prestado
Atualmente, a demanda pelo transporte público é de apenas 77% do nível pré-pandemia, sem indícios de recuperação. As dificuldades operacionais contribuem para um ciclo vicioso que resulta na diminuição da receita e na piora do serviço.
Pablo Motta, diretor financeiro da Marcopolo, defende que a solução para os problemas de mobilidade deve ter uma abordagem abrangente e não ser limitada apenas ao financiamento de novos ônibus. Ele enfatiza a necessidade de fontes de custeio permanentes e políticas públicas coordenadas para a renovação das frotas.
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