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Chocolate indígena Sídia Wahiü destaca tradição e empreendedorismo no Pará

Primeiro chocolate indígena da região Médio Xingu é lançado no Chocolat Amazônia.

Gabriel Azevedo24 de abril de 2026 às 10:05
Chocolate indígena Sídia Wahiü destaca tradição e empreendedorismo no Pará

A marca Sídia Wahiü, que traduz-se como 'mulher forte' na língua Xypaia, representa o primeiro chocolate indígena do Médio Xingu, no Pará. Com 72% de cacau e pedaços de abacaxi, banana e pitaia, o produto é um dos destaques da 10ª edição do Chocolat Amazônia, aberta em Belém.

Katiana Xypaia, líder comunitária de Vitória do Xingu, compartilha a herança do cultivo de cacau na região, iniciado por seu avô. Ela relembra como ele transformava os frutos em chocolate e licor, e destaca que a crescente produção atraiu mais familiares, resultando atualmente em 20 mil árvores de cacau cultivadas pela comunidade.

Em 2023, a cooperativa Coopatrans proporcionou às famílias a chance de valorizar o cacau ao produzir barras de chocolate sob a marca Cacauway. Após a colheita e seleção, as amêndoas são fermentadas internamente e enviadas para a agroindústria em Medicilândia. A produção de chocolate não só gera renda, como também preserva tradições, como a secagem de frutas em locais sagrados.

O chocolate Sídia Wahiü abriu caminho para o empreendedorismo indígena, levando à criação de quatro novas marcas de chocolate no Pará.

Rita Aguiar, chocolatier da Cacauway, explica que a cooperativa é formada por 40 famílias de agricultores que dependem do cacau como principal fonte de renda, cultivando 800 hectares no sistema agroflorestal. Das 800 toneladas de cacau produzidas, 15 toneladas são destinadas ao chocolate de origem 'tree to bar'.

Impacto da Feira Chocolat Amazônia

O Chocolat Amazônia, reunindo cerca de 300 produtores, principalmente da agricultura familiar, é projetado para movimentar aproximadamente R$ 15 milhões até domingo (26/4). Marco Lessa, idealizador do evento, enfatiza a importância de reposicionar a cadeia produtiva e expandir as oportunidades no mercado internacional.

Lessa aponta que o cenário atual do cacau no Brasil, com preços baixos, exige uma reflexão sobre a natureza commodity deste produto. Ele destaca que é necessário um enfoque que beneficie os produtores diretamente e incentive a agroindústria a buscar novos mercados.

O preço do cacau caiu de cerca de US$ 8.000 para aproximadamente US$ 3.000 por tonelada na Bolsa de Nova York nos últimos anos.

Contexto do Setor de Cacau

Os produtores do Pará recebem cerca de R$ 11,20 por quilo do cacau, comparado a R$ 44 na mesma época de 2025, segundo dados da consultoria Mercado do Cacau.

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O futuro do cacaueiro no Brasil exige uma revisão quanto à sua comercialização. Precisamos valorizar mais o produto, impactando positivamente a vida dos produtores

Marco Lessa.

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