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Conflito no uso do herbicida 2,4-D ocorre na Campanha Gaúcha

Decisão de proibição e liberação do 2,4-D gera polêmica entre produtores

Gabriel Azevedo16 de abril de 2026 às 05:45
Conflito no uso do herbicida 2,4-D ocorre na Campanha Gaúcha

A recente decisão judicial que proibiu temporariamente o uso do herbicida 2,4-D na Campanha Gaúcha em setembro de 2025 expôs um conflito recorrente e complexo entre os agricultores. Enquanto alguns produtores dependem desse herbicida para controlar ervas daninhas resistentes, viticultores e produtores de maçã enfrentam grandes perdas devido à deriva do produto.

Entendendo o Problema da Deriva

É fundamental compreender a natureza do problema relacionado ao 2,4-D. Esse herbicida hormonal, que age como um hormônio de crescimento nas plantas, é eficaz no combate a ervas de folhas largas, mas é suscetível à deriva, que pode ocorrer de duas maneiras: fisicamente, através de gotas finas levadas pelo vento, ou pela volatilização, onde o produto evapora e se dispersa pelo ar.

Culturas como uvas e maçãs são extremamente vulneráveis ao 2,4-D, e danos podem ser causados mesmo em baixas concentrações do herbicida.

A situação é agravada na Campanha Gaúcha, onde a topografia aberta e os ventos frequentes criam condições ideais para a deriva.

Avanços Tecnológicos e Limitações

Apesar de os avanços na tecnologia de aplicação de defensivos, que oferecem métodos para reduzir a deriva, não é possível eliminá-la completamente. As pontas de pulverização com indução de ar, conhecidas como 'venturi', representam um progresso significativo, pois produzem gotas maiores que são menos propensas a serem levadas pelo vento. No entanto, a eficácia dessas medidas depende de uma combinação de práticas adequadas de aplicação e condições climáticas específicas.

Ainda assim, o Estado do Rio Grande do Sul possui uma legislação avançada sobre o uso do 2,4-D. Desde 2019, diversas normativas foram implementadas, exigindo requisitos como o cadastro de aplicadores, cursos de boas práticas agrícolas e canais de denúncia para casos de deriva.

Comparação Internacional

Analisando lances internacionais, a situação nos Estados Unidos com o herbicida dicamba serve de alerta. Após um aumento no uso do dicamba, diversos Estados impuseram restrições severas ao seu uso, incluindo limites de temperatura e exigências de zonas de amortecimento entre culturas sensíveis. A experiência mostra que a tecnologia precisa ser acompanhada por uma fiscalização rigorosa.

Na Europa, o uso do 2,4-D é permitido, mas sob regulamentações bem mais restritivas, visando prevenir danos antes que eles ocorrem.

Desafios Locais e Necessidade de Monitoramento

No contexto local, é claro que falta um sistema de monitoramento e fiscalização no Rio Grande do Sul, evidenciado pela recente sentença judicial que ressaltou a omissão do Estado. Além disso, um zoneamento eficaz é crucial para proteger as culturas sensíveis das áreas de aplicação do herbicida.

É necessário que se reconheça que a discussão não deve se restringir a uma polarização entre soja e uva, mas sim abordar a diversidade do agronegócio gaúcho, que possui um valor cultural e social inestimável.

Presença do 2,4-D no Brasil

Dados de 2025 mostram que o 2,4-D continua amplamente usado no Brasil, refletindo a competitividade do setor com diversas empresas no mercado. O uso do herbicida permanece significativo em estados como São Paulo e Minas Gerais, além dos já mencionados Paraná e Rio Grande do Sul.

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