Cotas da China para carne bovina afetam mercado brasileiro
Mudanças trazem riscos de excesso de oferta e recessão nas margens

A partir de 2026, a introdução de cotas pela China para a importação de carne bovina brasileira deverá provocar mudanças significativas no setor, afetando diretamente os preços e as margens de lucro, de acordo com um estudo do Citibank.
O país asiático, que até agora foi fundamental para a rentabilidade das exportações, pode se tornar uma fonte de pressões sobre o mercado. O relatório também indica que a China representa cerca de 55% das exportações brasileiras de carne bovina, e essa alteração é considerada um 'reajuste estrutural' ao invés de uma oscilação temporária.
✨ Cerca de um terço da cota anual já foi utilizado nos primeiros dois meses de 2026, sinalizando um possível esgotamento das cotas em julho.
Esse cenário sugere que o primeiro semestre ainda verá uma demanda sustentável, mas a segunda metade do ano deverá enfrentar dificuldades. Após o limite das cotas, as exportações que excederem enfrentarão tarifas elevadas, comprometendo a competitividade no mercado chinês e redirecionando aproximadamente 600 mil toneladas de carne para outros mercados.
Com esse redirecionamento, muitos produtos deverão enfrentar preços mais baixos, uma vez que não há outro mercado capaz de absorver esse volume nas mesmas condições oferecidas pela China.
Impactos nas Empresas do Setor
O relatório do Citibank ainda revelou que algumas empresas estarão mais expostas à situação. A Minerva, por exemplo, depende mais do mercado chinês, enquanto JBS e Marfrig estão em uma posição relativamente mais segura, mas também sofrerão impactos indiretos.
✨ Embora se projete uma queda de produção entre 4% e 5% no Brasil, isso não será suficiente para compensar os efeitos adversos das cotas.
Adicionalmente, o setor está lidando com os efeitos de um recente surto de febre aftosa, que é considerado menos relevante em termos de oferta, mas que pode impactar a política comercial e as exportações.
Os analistas do banco concluem que, apesar de ajustes de políticas ou mudanças na dinâmica de estoques, as condições do mercado permanecerão desafiadoras ao longo de 2026, com uma clara assimetria entre os riscos negativos imediatos e as possíveis compensações futuras.
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