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Endividamento rural no Paraná atinge R$ 10,8 bilhões

Montante problemático pode ser ainda maior, apontam especialistas.

Gabriel Rodrigues15 de maio de 2026 às 10:45
Endividamento rural no Paraná atinge R$ 10,8 bilhões

O estado do Paraná enfrenta um sério desafio no setor rural, com o endividamento totalizando impressionantes R$ 10,8 bilhões em janeiro deste ano, de acordo com o levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. Esse montante, referente ao saldo problemático, abrange dívidas em atraso e renegociadas.

Os especialistas estimam que o endividamento poderia já ter alcançado R$ 20 bilhões.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, ressalta a gravidade da situação, afirmando que os números são alarmantes e que o endividamento atual pode ser o dobro do registrado. Em um cenário onde o Paraná possui cerca de R$ 99 bilhões em empréstimos rurais, o saldo problemático representa 11% do total, um índice preocupante considerando o histórico de baixa inadimplência do setor.

Situação no Brasil

A situação não é isolada do Paraná. No Brasil, o endividamento rural chega a cerca de R$ 881 bilhões, com um saldo problemático de R$ 153,6 bilhões, representando 17,4% do total. As estatísticas do Banco Central indicam que a inadimplência atingiu níveis recordes em 2025, com um índice de 6,5% para dívidas vencidas há mais de 90 dias.

Contexto do endividamento

O crescimento do endividamento rural é resultado de diversos fatores, incluindo quebras de safra, aumento nos juros, elevação dos custos de produção e quedas nos preços das commodities.

Luiz Flamengo, avicultor de Paranacity, exemplifica a situação enfrentada pelos produtores. Ele contraiu uma dívida de aproximadamente R$ 450 mil devido ao aumento expressivo nos custos operacionais, destacando, por exemplo, a elevação dos preços de energia elétrica e insumos.

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Os custos operacionais crescem em uma ascendência vertiginosa

Luiz Flamengo, avicultor

Flamengo ressalta que a compensação financeira por ave não acompanha o aumento dos custos, o que tem comprometido sua margem de lucro. Para quitar dívidas, ele chegou a vender um veículo, evidenciando o impacto crítico do endividamento.

Ações urgentes são necessárias

O Sistema FAEP alerta que o elevado endividamento pode ameaçar a segurança alimentar e o avanço econômico no estado. O presidente Meneguette enfatiza que os produtores, diante da falta de crédito, carecem de recursos para novas safras, o que pode levar a uma diminuição na oferta de alimentos e, consequentemente, ao aumento dos preços.

É urgente a implementação de um programa de renegociação de dívidas.

Na próxima terça-feira, será discutido no Senado o Projeto de Lei (PL) 5.122/23, que visa facilitar a renegociação de dívidas rurais utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Desde o início da tramitação, a FAEP tem interagido com parlamentares para tratar das necessidades e desafios enfrentados pelos produtores.

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