Críticas ao Plano Safra 2026/27 revelam preocupações do setor agrícola
Entidades do agronegócio questionam medidas e acesso ao crédito

O anúncio do Plano Safra 2026/27, que destinou R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, gerou forte crítica entre entidades do agronegócio e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Apesar do governo ressaltar um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior e a diminuição das taxas de juros em algumas linhas de crédito, representantes do setor avaliam que o programa não atendeu suas necessidades essenciais.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) ressaltou que o principal desafio não é apenas a magnitude dos recursos, mas a falta de medidas efetivas para combater o endividamento crescente entre os agricultores. A entidade pede uma política agrícola que seja estável e permanente, com foco em fortalecer o seguro rural e na reestruturação das dívidas, afirmando que novos financiamentos não irão resolver, por si só, as dificuldades financeiras dos produtores.
Por sua vez, o Sistema da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) também considera que, apesar do montante histórico anunciado, as condições de acesso ao crédito permanecem desfavoráveis. Segundo a Faep, as taxas de juros continuam elevadas em um cenário já marcado por margens financeiras apertadas, eventos climáticos adversos e aumento do endividamento.
✨ O Plano Safra 2025/26 teve menos de 80% dos recursos contratados, evidenciando que a dificuldade não está somente na quantia de crédito, mas na habilidade dos produtores em utilizar essas linhas.
A FPA criticou a diminuição dos recursos equalizados, reduzidos de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, e a queda nas verbas destinadas ao custeio e comercialização, fundamentais para o financiamento da produção. Eles também questionaram a inclusão de verbas de outros programas no total anunciado, argumentando que isso distorce os números do Plano Safra. Sem esses recursos adicionais, o montante destinado ao crédito rural seria inferior ao da safra anterior.
Outra preocupação da FPA é relacionada aos cortes consecutivos no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), reafirmando seu compromisso em propor, no Congresso Nacional, iniciativas para renegociar as dívidas dos agricultores e robustecer o seguro rural.
As entidades concordam que o Plano Safra 2026/27 não endereçou os principais desafios estruturais do setor. Para elas, é crucial assegurar mais previsibilidade na política agrícola, aumentar os recursos para o seguro rural, oferecer condições de crédito mais competitivas e resolver de maneira eficaz o elevado endividamento que aflige os produtores em várias regiões do Brasil.
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