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Grupo de Trabalho irá avaliar tilápia como espécie invasora

Setor produtivo teme impactos negativos na piscicultura brasileira

Tiago Abech28 de maio de 2026 às 19:25
Grupo de Trabalho irá avaliar tilápia como espécie invasora

Nesta quinta-feira (29), a reunião que tinha como foco a avaliação da inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras resultou na formação de um grupo de 12 representantes. Eles terão 90 dias, a contar da publicação no Diário Oficial, para discutir os critérios técnicos e científicos para classificar uma espécie como invasora.

O encontro ocorreu em Brasília e contou com a participação de membros da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). Sob a presidência do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o órgão inclui representantes de diversas pastas, como Agricultura e Pesca, assim como da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da sociedade civil.

A tilápia é responsável por 70% do volume de peixes cultivados no Brasil e supera 85% das exportações do setor.

A possibilidade de a tilápia ser incluída na lista causou descontentamento no setor produtivo. Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, alertou que essa inclusão resultaria em uma queda imediata nas exportações, uma vez que nenhum país comercializa espécies consideradas nocivas ao meio ambiente. As perdas potenciais nas exportações podem ultrapassar US$ 38 milhões.

Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente afirma que a classificação da tilápia como espécie invasora não afetará os métodos de cultivo. Lívia Martins, diretora de Biodiversidade e Florestas do Ibama e presente na reunião, destacou que o novo Grupo de Trabalho será responsável por definir critérios e ações em nível nacional para controle e erradicação de espécies exóticas invasoras, não apenas da tilápia.

O grupo deverá estabelecer prioridades de ação e propor recomendações relativas a diferentes subcategorias de espécies, como aquelas com uma cadeia produtiva já consolidada, como a tilápia, e outras que não apresentam interesse socioeconômico, como o javaporco.

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É necessário demonstrar com evidências que a tilápia está estabelecida em determinados ambientes e que sua presença causa efeitos ambientais negativos relevantes.

Flávia Tavares, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura.

O grupo poderá convidar especialistas para oferecer informações adicionais, ampliando a discussão sobre os impactos ambientais e socioeconômicos das espécies exóticas invasoras.

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