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Suinocultura avança em bem-estar animal com nova certificação

Modelo inovador de produção começa a se destacar no Brasil

Mariana Souza20 de abril de 2026 às 10:35
Suinocultura avança em bem-estar animal com nova certificação

A suinocultura brasileira está começando a adotar padrões mais elevados de bem-estar animal, com destaque para uma granja em Patos de Minas (MG), que se tornou a primeira a obter a certificação da Produtor do Bem, que promove critérios mais rigorosos do que os comumente utilizados no setor.

Lucimar Silva, diretora-executiva da Auma Agronegócios, destaca que essa abordagem representa uma transformação na produção, garantindo que os suínos tenham condições adequadas para evitar estresse e sofrimento. Uma das inovações implementadas é o sistema de 'cobre-solta', onde as fêmeas são transferidas para alojamento coletivo logo após a inseminação, em contraste com o uso tradicional de gaiolas por períodos prolongados.

O modelo visa não apenas o bem-estar animal, mas também a eficiência econômica, refletida em melhores indicadores zootécnicos e redução de perdas.

Baltazar Vieira, gerente de produção, relata que essa mudança resultou em menos mortalidade de leitões e menos doenças. Além disso, a Auma decidiu eliminar a ractopamina, um aditivo anteriormente utilizado para aumentar o peso, o que, embora tenha reduzido a eficiência a curto prazo, agora proporciona melhores condições sanitárias e menor mortalidade.

Com as práticas adotadas, a granja aumentou o preço recebido pela carne suína em cerca de 3,5%. As expectativas são de expandir a certificação para atender a mercados mais exigentes, refletindo uma nova demanda dos consumidores por informações sobre a produção dos alimentos que consomem.

Certificação inovadora eleva padrões do setor

O diretor-executivo da Produtor do Bem, José Rodolfo Ciocca, enfatiza que esta certificação se diferencia por estabelecer critérios exigentes que visam elevar os padrões de bem-estar animal, superando as práticas convencionais que muitas vezes apenas ratificam o que já é feito. O protocolo inclui limitações ao uso de gaiolas e requer práticas de enriquecimento ambiental.

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Mesmo o nível inicial já é mais exigente do que muitas certificações no Brasil e no exterior

José Rodolfo Ciocca

Desafios como custos de adaptação e capacitação da equipe ainda precisam ser superados para a adoção generalizada deste modelo.

Apesar das barreiras, a tendência é de que a adoção desse modelo cresça, impulsionada pela demanda internacional que está cada vez mais exigente em relação aos padrões de bem-estar. O acordo entre Mercosul e União Europeia pode acelerar essa transformação, colocando o Brasil em uma posição privilegiada como fornecedor de carne com altos padrões de bem-estar animal.

A Auma mira expandir esse modelo, reconhecendo que melhorias no ambiente e manejo resultam em produtos mais valorizados e menos perdas, impactando positivamente toda a cadeia produtiva.

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