Tereos Brasil termina safra 2025/26 com prejuízos, mas dívida em queda
Desempenho financeiro reflete desafios da produção de cana-de-açúcar

Na safra 2025/26, a Tereos Açúcar e Energia Brasil enfrentou sérios desafios devido à queda significativa na produção de cana-de-açúcar, mas conseguiu terminar o ano com lucro e redução da dívida líquida.
De acordo com Pierre Santoul, diretor geral da empresa, os problemas começaram no ciclo anterior, com uma forte seca entre fevereiro e março de 2025 que afetou diretamente a produtividade das lavouras que abastecem as usinas no Brasil.
Embora a chuva tenha retornado nos meses posteriores, a recuperação do potencial produtivo não ocorreu. A Tereos processou 17,9 milhões de toneladas de cana, uma redução de 12% em relação à safra anterior.
✨ Com a diminuição do esmagamento, a empresa direcionou seus esforços para a produção de açúcar, assegurando preços vantajosos desde o início da safra.
Mesmo com um lucro líquido que caiu 62% para R$ 137 milhões e uma redução de 16% na receita líquida, que totalizou R$ 5,7 bilhões, a Tereos relata que esse foi o terceiro melhor resultado da sua história. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 29%, para R$ 1,3 bilhão.
Enquanto isso, a operação global da Tereos teve um desempenho negativo, encerrando a safra com um prejuízo de 590 milhões de euros. Isso contrasta com a unidade brasileira que, ao contrário da europeia, montou uma estratégia eficaz de hedge nos preços do açúcar.
Desempenho financeiro
A venda da Usina Andrade para a Viralcool também contribuiu para o resultado no Brasil. A unidade, voltada para a produção de etanol, foi considerada menos competitiva diante do foco do grupo na produção de açúcar.
O executivo destaca que a redução da dívida líquida em 19%, que agora chega a R$ 2,2 bilhões, é a menor em uma década. A alavancagem ficou em 0,5 vez em relação ao Ebitda, sem considerar empréstimos intercompany.
Para a próxima safra 2026/27, Santoul projeta um aumento na moagem, entre 18 milhões e 19 milhões de toneladas, devido às chuvas favoráveis recentes, embora a operação tenha uma usina a menos.
"Apesar de esperarmos melhorias, a safra começa com preços de açúcar abaixo do custo de produção, e a situação do etanol se assemelha. Não prevemos sinais de recuperação a curto prazo.
A pressão sobre os preços deve continuar, especialmente pelo aumento da produção de etanol a partir do milho, o que diminui as expectativas de melhora no mercado.
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