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agricultura
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Agropecuária cresce, mas enfrenta desafios com taxa Selic elevada

Impactos do El Niño e do clima podem desacelerar produção em 2026.

Gabriel Azevedo29 de maio de 2026 às 15:25
Agropecuária cresce, mas enfrenta desafios com taxa Selic elevada

O setor agropecuário brasileiro começou 2026 apresentando um crescimento, porém, enfrenta o impacto das altas taxas de juros, conforme análise do economista Joelson Sampaio, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Dados recentes do PIB mostram uma elevação de 2,0% na agropecuária no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao último trimestre de 2025, embora o crescimento anual tenha se limitado a apenas 0,7%.

A soja se destacou com um recorde de 4,8% na previsão anual de produção, enquanto o milho e o arroz enfrentaram quedas significativas de 2,5% e 10,6%, respectivamente.

Apesar do conflito no Oriente Médio influenciar negativamente as expectativas, Sampaio ressalta que o resultado final foi mais favorável para o agronegócio brasileiro. "O agro passa por ciclos, e o desempenho atual é consequência de diversos fatores globais e climáticos", comentou o economista.

Expectativas para o Segundo Trimestre

De acordo com José Carlos Hausknecht, especialista em agronegócios da EY Brasil, o PIB da agropecuária deve continuar a receber contribuições positivas da soja no segundo trimestre. No entanto, os problemas enfrentados pela safra de milho podem limitar o crescimento nos resultados futuros.

Com a colheita da segunda safra de milho já em andamento, expectativas são de uma redução na oferta, com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevendo uma produção de 108,4 milhões de toneladas para esta safra—a queda prevista é de 4,2% em relação ao ciclo anterior.

A falta de chuvas em Goiás e pontos críticos em Minas Gerais e São Paulo podem impactar negativamente a produtividade da cultura do milho.

Além do milho, Hausknecht alerta para o cuidado com o algodão e a cana-de-açúcar, que também podem afetar o desempenho do PIB agropecuário no segundo semestre. Ele destaca que o crescimento de 0,7% na variação anual no primeiro trimestre deve-se principalmente à produção de soja e ao setor de carnes.

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"Não era esperado um crescimento expressivo no PIB da agropecuária", afirmou Hausknecht.

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