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agricultura
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Chocolate da Amazônia pode ganhar valor com novas práticas

Estudo da Unesp revela impacto de fermentação e seleção na qualidade do cacau

Fernanda Lima05 de abril de 2026 às 13:10
Chocolate da Amazônia pode ganhar valor com novas práticas

O chocolate da Amazônia, famoso por seu sabor inconfundível, pode alcançar um status ainda mais elevado no mercado global, conforme estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pesquisadores destacam que, através de práticas como a fermentação adequada das amêndoas e a escolha dos cultivares certos, é possível aumentar a qualidade nutricional e o sabor do produto.

Renato de Mello Prado, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, liderou a pesquisa e enfatizou que, ao contrário de culturas como soja e milho, cujo valor é baseado na quantidade, o cacau é valorizado pela sua qualidade. "Selecionamos os melhores cultivares e técnicas de pós-colheita, focando em sabor e nutrição", explicou.

Metodologia do Estudo

A pesquisa, apoiada pela Fapesp, foi realizada na Estação Experimental Frederico Afonso, em Rondônia, e analisou nove clones de cacau utilizando dois métodos de pós-colheita: fermentação tradicional e pré-secagem. O estudo contou com a colaboração de instituições como a Embrapa e universidades locais.

Fermentação é crucial para o desenvolvimento do chocolate, mas também pode afetar seu valor nutricional.

A doutoranda Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, que participou da pesquisa, ressaltou a importância da fermentação para o sabor e cor do chocolate. A equipe propôs misturas de grãos fermentados e não fermentados para balancear sabor e nutrientes, similar ao que se faz no setor de cafés.

Impactos da Fermentação

A fermentação das amêndoas reduz açúcares e taninos, ao mesmo tempo que aumenta aminoácidos e minerais. O cacau não fermentado, por sua vez, é rico em fósforo e cálcio.

Os pesquisadores encontraram pela primeira vez glicina betaína e prolina nas amêndoas, moléculas que protegem as plantas e atuam como antioxidantes no corpo humano. "Esses compostos podem transformar o cacau amazônico em um superalimento", ressaltou Mello.

Variação entre Cultivares

Os diferentes cultivares mostraram resultados diversos; o CCN 51 apresentou um bom equilíbrio, enquanto o EEOP 63 destacou-se pela produtividade. O EEOP 96, com altos níveis de compostos fenólicos em grãos não fermentados, sugere potencial para produtos alternativos como nibs e snacks saudáveis.

Traspadini concluiu que não há um único clone ideal, mas sim a necessidade de combinar diferentes cultivares para atender a diversas demandas do mercado, tornando este estudo vital para os produtores de cacau da região.

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