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agricultura
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Desenrola 2.0 amplia renegociação de dívidas agrícolas em meio à crise

Plantadores enfrentam aumento da inadimplência e recuperação judicial

Gabriel Azevedo05 de maio de 2026 às 05:35
Desenrola 2.0 amplia renegociação de dívidas agrícolas em meio à crise

O novo programa Desenrola 2.0 visa facilitar a renegociação de dívidas para agricultores familiares, mas acontece em meio a um aumento da inadimplência e recuperação judicial no setor agrícola, o que gera incertezas sobre sua eficácia.

Cenário financeiro preocupante

Anunciada no dia 4 de dezembro de 2025, a iniciativa é especialmente benéfica para os assentados da reforma agrária, permitindo que eles renegociem suas obrigações financeiras. Contudo, o movimento é realizado em um contexto de deterioração das condições financeiras e crescentes dúvidas sobre suas soluções para problemas estruturais.

No terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava inadimplente, marcando um aumento preocupante.

De acordo com dados da Serasa Experian, a inadimplência no campo aumentou 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior, destacando-se dívidas superiores a R$ 100 mil nos bancos, além de um número alarmante de 1.990 pedidos de recuperação judicial no setor, um crescimento de 56% em relação ao ano anterior.

Detalhes do Desenrola Rural

A nova fase do Desenrola Rural mantém a mesma estrutura de seu lançamento anterior, permitindo a renegociação de dívidas relacionadas ao crédito rural e à dívida ativa da União. Com essa medida, espera-se que os produtores possam regularizar sua situação financeira e retomar o acesso a linhas de crédito, especialmente pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Uma novidade importante é que agora os produtores inadimplentes podem contratar novos créditos mesmo com dívidas pendentes.

Embora essa abordagem ofereça um alívio, especialistas destacam que a resolução das causas por trás do crescente endividamento no setor ainda é um desafio.

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A inadimplência no agro não é pontual, ela é estrutural e tende a crescer se não houver ajustes no modelo de crédito. O sistema financeiro opera com rigidez incompatível com os ciclos do agronegócio

Filipe Denki, advogado especialista.

A falta de ferramentas eficazes para reestruturação das dívidas é uma questão que afeta a solidez financeira do setor, conforme destacado por Denki.

Perspectivas e preocupações

A adesão dos produtores à nova medida é uma preocupação central, pois a renegociação não equivale a um perdão das dívidas. A atenção aos termos contratuais é vital para que os agricultores não percam acesso a benefícios creditícios, como taxas subsidiadas.

Jansonn Mendonça Batista, advogado especializado, alerta que o programa pode oferecer apenas um alívio temporário.

Ele enfatiza que a verdadeira solução não reside apenas em alongar os prazos das dívidas, mas na necessidade de equilibrar o endividamento com a capacidade real de geração de receita dos produtores.

A superação de dívidas não analisadas pode resultar em um acúmulo prejudicial para o mercado de crédito agrícola.

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Embora a retomada do programa possa potencialmente dobrar seu impacto, é necessária uma abordagem mais holística e estruturada

Marcelo Pimenta, especialista da Serasa Experian.

Além disso, há uma discussão política sobre a necessidade de soluções mais permanentes para o endividamento agrícola, com propostas em trâmite no Senado que visam renegociar dívidas que podem alcançar R$ 81,6 bilhões.

Com a colaboração entre o governo e o Congresso em curso, há uma esperança de que um modelo eficaz seja estabelecido antes do lançamento do próximo Plano Safra.

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