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agricultura
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Endividamento no setor agro cresce 58% no primeiro trimestre de 2026

Aumento acentuado em pedidos de recuperação judicial impacta a atividade agrícola

Gabriel Azevedo27 de abril de 2026 às 08:10
Endividamento no setor agro cresce 58% no primeiro trimestre de 2026

O endividamento no setor agropecuário brasileiro continua a se agravar, com 539 empresas do ramo em recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, marcando um aumento expressivo de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Conforme o Monitor RGF, da consultoria RGF&Associados, houve também um crescimento de 9,3% em comparação ao último trimestre de 2025. A situação reflete a expectativa de analistas sobre a deterioração das condições financeiras no setor, influenciadas por taxas de juros elevadas e margens de lucro reduzidas.

A crise é intensificada pelos impactos da guerra no Oriente Médio, que elevaram os custos de insumos como fertilizantes e combustíveis.

Especuladores apontam que os altos preços dos insumos estão, em partes, levando os agricultores a buscar a recuperação judicial. A guerra, que interferiu nas rotas de transporte de petróleo e fertilizantes, como o Estreito de Ormuz, está entre as causas que têm dificultado a solvência das empresas agrícolas.

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O fechamento do Estreito de Ormuz já apareceu entre as justificativas para pedidos de recuperação judicial. Isso prejudicou o setor em honrar seus compromissos financeiros.

Júlio Moretti, CEO da Neot.

Com a guerra na Ucrânia, a dificuldade em pagar dívidas começou a aparecer rapidamente nas recuperações judiciais de produtores, muitos dos quais citam o aumento inesperado nos preços dos fertilizantes como uma das razões para as dificuldades financeiras.

O aumento de quase 60% nas recuperações judiciais é atribuído, segundo Rodrigo Gallegos da RGF, ao patamar elevado da taxa Selic e ao nível de endividamento. Ele ressalta que o custo de financiar a safra é um fator crucial.

Os atrasos nas negociações financeiras são comuns, pois muitos produtores aguardam uma melhora nas safras, o que contribui para situações de inadimplência. Isso, por sua vez, aumenta a dificuldade na obtenção de crédito, com os bancos passando a exigir garantias adicionais.

  • 1Setor da soja lidera com 243 empresas em recuperação judicial.
  • 2Seguido por 89 empresas de pecuária e 49 de cana-de-açúcar.
  • 3Grupo Diamante do Tocantins solicitou recuperação devido a problemas climáticos.

O Grupo Diamante do Tocantins, que atua na produção de grãos, protocolou seu pedido de recuperação judicial no dia 25 de março de 2026, enfrentando passivos estimados em R$ 500 milhões, com credores como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal entre os principais.

Gallegos, da RGF, ressalta que as tentativas do governo para encontrar soluções para o agro são válidas, mas a combinação de juros elevados e dificuldades de acesso ao crédito serão um entrave contínuo para a redução das recuperações judiciais.

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