El Niño forte gera preocupação no agronegócio brasileiro
Fenômeno pode trazer riscos significativos para colheitas no país

A possibilidade de um evento El Niño extremamente forte levanta bandeiras vermelhas para o agronegócio brasileiro, especialmente devido ao risco de calor extremo e chuvas irregulares que podem afetar culturas sensíveis. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA indica uma probabilidade superior a 60% de ocorrência de um episódio severo entre outubro e dezembro de 2026.
Em uma mesa redonda realizada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) nesta terça-feira (7/7), Eduardo Assad, pesquisador do Observatório de Bioeconomia do FGV Agro, mencionou que nos últimos dez anos, o Brasil enfrentou três episódios muito intensos de El Niño. Ele destacou que, durante os eventos de 2015 e 2024, algumas regiões do país sofreram perdas de até 10% na produção agrícola.
✨ Os cultivos mais vulneráveis aos efeitos do El Niño incluem soja e milho, além de café e laranja no Sudeste.
Guilherme Bastos, coordenador do FGV Agro, expressou preocupações embora a produção brasileira de grãos não deva entrar em colapso. Ele observou que o período crítico é de julho a setembro, onde a falta de chuvas pode prejudicar o plantio da soja, aumentando a necessidade de replantio. Em 2024, aproximadamente 2,9 milhões de hectares tiveram que ser replantados devido a eventos climáticos.
Assad também abordou os impactos sobre a pecuária, especialmente em Mato Grosso, onde o calor excessivo pode afetar a saúde dos animais. Uma solução sugerida é o aumento do plantio de árvores nas propriedades, que fornecem sombra ao rebanho.
Os especialistas alertam para a pouca preparação dos municípios brasileiros frente a esses desafios climáticos. Segundo Bastos, 87% dos municípios carecem de estrutura adequada para enfrentar os impactos do El Niño, com 78% apresentando falta de infraestrutura para secas e 72% para enchentes.
Medidas sugeridas
Bastos propõe a ampliação do seguro rural como uma estratégia vital para os produtores, ressaltando que, embora não resolva diretamente os problemas climáticos, pode garantir sustentação financeira vital para a agropecuária.
Ele também criticou a falta de ênfase no seguro rural no atual Plano Safra, sugerindo que os recursos disponíveis são insuficientes e que uma maior participação dos Estados no financiamento do seguro é necessária.
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