Apesar da guerra no Oriente Médio, vendas aumentam em 2026

As exportações de produtos agropecuários brasileiros para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) continuam a crescer, mesmo diante dos desafios impostos pela guerra no Oriente Médio, que inclui o fechamento do Estreito de Ormuz e seu impacto nos custos logísticos.
Um levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira revela que, até o momento, as vendas do agronegócio para o bloco, que inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, aumentaram 1,97%, somando US$ 1,76 bilhão.
✨ Os principais produtos exportados incluem frango, açúcar, carne bovina, milho e café.
Mesmo com a alta geral, algumas categorias enfrentaram dificuldades. As exportações de frango, por exemplo, caíram 5,98% em comparação ao ano anterior, totalizando US$ 791,19 milhões. No entanto, o Catar aumentou suas compras deste produto em 13,82%, atingindo US$ 70,29 milhões, utilizando portos sauditas e métodos alternativos de transporte.
O açúcar teve um desempenho notável, com um crescimento de 28,74% entre janeiro e abril, alcançando US$ 442,59 milhões. O avanço foi impulsionado especialmente pela Arábia Saudita, que registrou um aumento de 46,35%, e por Omã, cujas importações saltaram impressionantes 6.332,27%, apesar dos desafios logísticos.
A carne bovina também apresentou resultados positivos, com um aumento de 28,77% e receitas de US$ 219,30 milhões. Contudo, abril trouxe uma desaceleração nas exportações, com um recuo significativo de 46,90% em relação a março.
O milho mostrou sinais de recuperação, com embarques totalizando US$ 11,80 milhões em abril. No acumulado do ano, o aumento é de 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões, impulsionado principalmente pela demanda do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos.
O café também teve um desempenho impressionante, subindo 58,50% com vendas que atingiram US$ 64,67 milhões, beneficiadas pela recompra de estoques nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã.
Por outro lado, as exportações totais para o CCG caíram 24,99% em abril, para US$ 455,54 milhões. No acumulado do ano, a queda é de 0,67%, totalizando US$ 2,82 bilhões, o que demonstra que, apesar das dificuldades, a demanda dos países do Golfo permanece sólida.
A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira destacou que, mesmo com o aumento nos custos logísticos, os exportadores têm se adaptado para garantir a entrega de seus produtos, ressaltando a importância do agronegócio para a segurança alimentar naquela região.
"Os mercados árabes ainda geram receitas significativas, especialmente nas categorias do agronegócio, das quais dependem para a segurança alimentar de suas populações.
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Jornalista especializado em agricultura

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