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agricultura
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Preço da mandioca cai e agricultores adotam ciclo longo para minimizar perdas

Produtores do Paraná buscam alternativas para enfrentar a queda nos preços

João Pereira13 de junho de 2026 às 07:25
Preço da mandioca cai e agricultores adotam ciclo longo para minimizar perdas

Com a recente queda nos preços da mandioca, os agricultores do Paraná, que ocupa a posição de segundo maior produtor do Brasil, estão se adaptando para minimizar prejuízos. Uma das estratégias adotadas é a manutenção dos cultivos por períodos mais longos no campo.

Agricultores estão deixando a mandioca na terra por mais tempo para maximizar a colheita.

De acordo com Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), essa prática se deve à peculiaridade da mandiocultura, que permite que as raízes sejam mantidas no solo por mais de um ano. "Essa estratégia foi incentivada pela diminuição dos preços nos últimos tempos", explica Godinho.

Ciclo Longo e suas Vantagens

O sistema de produção de mandioca para o ciclo longo envolve deixar as plantas de 18 a 24 meses no campo, o que é ideal para a produção industrial de farinha e fécula. Essa abordagem ajuda a aumentar o acúmulo de amido e o peso das raízes, enquanto o primeiro ciclo resulta na colheita entre 12 e 14 meses após o plantio.

Os dados do Deral indicam uma queda de 21% nos preços pagos aos agricultores no primeiro trimestre de 2026, comparados ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, o preço médio foi de R$ 552,19 por tonelada, um pouco acima de 2024, mas 31% menor que em 2023.

Expectativa de aumento na área de cultivo e na produção de mandioca em 2026.

A mudança para o ciclo longo resultou em um aumento na previsão de área colhida, que deverá crescer 6% em 2026, alcançando 148,6 mil hectares. Isso acontece porque raízes que deveriam ser colhidas em 2025 foram deixadas na terra. A produção estimada pode ultrapassar 4 milhões de toneladas, em comparação às 3,6 milhões de toneladas do ano anterior.

Desafios Enfrentados pelos Produtores

Apesar dessas perspectivas, Godinho adverte que o cenário é complexo. Com o aumento no tempo que as raízes permanecem no solo, torna-se mais difícil prever a colheita e a produção, especialmente se uma porção significativa das lavouras continuar a ser deixada para colheita em anos subsequentes.

Os preços em queda também têm levado agricultores a reconsiderar o arrendamento de áreas para cultivar mandioca, uma vez que os altos custos de arrendamento são influenciados pelo aumento no preço do boi gordo.

Condições do Campo

André Mataruco, um agricultor de Diamante do Norte, Paraná, revela que sempre optou pelo ciclo longo, mas observa que muitos produtores locais estão mudando para essa prática, abandonando a colheita no primeiro ciclo para controlar melhor os custos. Mataruco menciona que os custos de produção aumentaram 100% nos últimos cinco anos, tornando difícil manter a rentabilidade.

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O produtor de mandioca está praticamente pagando para trabalhar devido aos custos elevados e à baixa atualização dos preços pagos pela raiz

André Mataruco

A alta dos insumos e da mão de obra, que corresponde a 50% dos custos, são algumas das dificuldades enfrentadas. Mesmo assim, Mataruco planeja plantar, mas com uma redução estimada de 10% a 15% na área cultivada, o que pode impactar a produção nos próximos anos.

Outro produtor, Marcos Aurélio da Silva, que planta mandioca em Anahy, pretende diminuir sua área de cultivo em 40% devido à insatisfação com a rentabilidade. Silva destaca a dificuldade de encontrar mão de obra jovem para a agricultura, já que 80% dos trabalhadores em sua propriedade são aposentados.

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