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agricultura
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Preços do milho mostram leve alta, mas preocupações se mantêm

Estimativas indicam impacto de safra menor e desafios climáticos

Mariana Souza10 de abril de 2026 às 19:15
Preços do milho mostram leve alta, mas preocupações se mantêm

De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), os preços do milho no Brasil apresentaram uma leve recuperação entre os dias 3 e 9 de abril. No Rio Grande do Sul, as cotações foram em média de R$ 57,00 por saca, enquanto em outras regiões os valores variaram de R$ 50,00 a R$ 68,00.

Apesar dessa leve alta, a Ceema expressa preocupação quanto à evolução do mercado nos próximos meses, já que a expectativa é de uma safra menor, principalmente na segunda safrinha, decorrente da diminuição da área plantada e das condições climáticas desfavoráveis. Essas variáveis podem pressionar os preços para o segundo semestre.

Consultoria Brandalize Consulting indica que a demanda externa pode intensificar esse movimento de alta.

Até o momento, cerca de 18% da safrinha 2025/26 foi comercializada, considerando uma produção projetada de 100,6 milhões de toneladas. Mato Grosso destaca-se, com 24,4% da produção esperada já vendida, enquanto outras regiões apresentam índices menores, como no Matopiba, onde a comercialização é de 15,8%.

Cenário de Plantio e Colheita

O plantio da segunda safra está quase finalizado em todo o país. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que a colheita da safra de verão atingiu 51,3% da área total, percentual que está de acordo com a média histórica da época. Porém, o estado do Paraná requer atenção devido a problemas climáticos que têm prejudicado o crescimento das lavouras.

No Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta um aumento de 1,5% na demanda por milho. A safrinha no estado teve 1,17 milhão de hectares semeados fora da janela ideal, mas a produção continua estimada em 51,7 milhões de toneladas, com uma área de 7,39 milhões de hectares e uma produtividade média projetada de 116,6 sacas por hectare.

Exportações e Impactos Fitossanitários

As exportações brasileiras de milho atingiram 983.029 toneladas em março, um aumento de 12,8% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No entanto, o preço médio por tonelada caiu 4,1%, passando de US$ 240,30 em março de 2025 para US$ 230,40 em março de 2026.

Um estudo publicado na revista Crop Protection, realizado pela Embrapa Cerrados, Epagri e CNA, revela que a cigarrinha-do-milho representa uma séria ameaça à produção nacional, com uma perda média de 22,7% da safra anual entre 2020 e 2024, resultando em um prejuízo de US$ 6,5 bilhões por ano.

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As doenças causadas pela cigarrinha-do-milho, como o pálido e o vermelho, são as maiores ameaças fitossanitárias à produção do grão no Brasil. Elas impactam negativamente toda a cadeia produtiva, desde a produção de proteína animal até a balança comercial brasileira.

O estudo ainda destaca que as repercussões das perdas na produção transcendem as fazendas, afetando o mercado consumidor e a economia nacional.

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