Produção de etanol de milho no Brasil quadruplica, mas demanda é desafio
Setor enfrenta novo desafio: encontrar consumidores para volume crescente

Com investimentos superiores a R$ 40 bilhões, a produção de etanol de milho no Brasil aumentou de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para quase 10 bilhões de litros projetados para 2025/26. Embora o setor tenha quadruplicado de tamanho em cinco anos, um novo desafio surgiu: como garantir consumidores para este volume exorbitante?
A eficiência do setor
O modelo econômico do etanol de milho se destaca pela sua eficiência, não apenas pela geração de combustível, mas também pela produção de DDGS, um farelo nutritivo para a alimentação de gado. Essa rentabilidade ampliou o interesse por investimentos na área, solidificando o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.
Riscos da superoferta
Apesar do crescimento acentuado da produção, as preocupações com uma eventual superoferta aumentam. Estima-se que o mercado brasileiro possa receber até 4 bilhões de litros adicionais de etanol durante uma única safra, enquanto a demanda cresce apenas cerca de 2% ao ano. Isso significa que a produção está superando a demanda significativamente.
✨ O Brasil possui uma das maiores frotas flexíveis do mundo, mas muitos motoristas ainda preferem a gasolina pela questão da autonomia.
Para atenuar essa situação, o governo brasileiro elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. Embora essa ação ajude, o problema estrutural da demanda persiste.
Novas fronteiras para o etanol
O futuro do etanol vai além dos veículos. O combustível possui potencial em mercados emergentes relacionados à descarbonização, como o SAF (combustível sustentável de aviação) e em processos industriais com baixa emissão de carbono. Além disso, o etanol brasileiro tem a vantagem de uma baixa pegada de carbono e uma vasta disponibilidade de matéria-prima, algo que é cada vez mais valorizado internacionalmente.
O avanço do etanol de milho representa um marco tecnológico e agrícola para o Brasil, que agora precisa garantir que esse crescimento seja acompanhado pela demanda. Sem o desenvolvimento de novos mercados, competitividade nos preços e aumento das exportações, o setor pode enfrentar pressões de preço que impactariam suas margens, em um momento crítico de expansão.
"O desafio dos próximos anos não será produzir mais etanol, mas sim criar demanda suficiente para acompanhar a oferta crescente.
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