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agricultura
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Produção de etanol de milho no Brasil quadruplica, mas demanda é desafio

Setor enfrenta novo desafio: encontrar consumidores para volume crescente

Acro Rodrigues16 de junho de 2026 às 14:15
Produção de etanol de milho no Brasil quadruplica, mas demanda é desafio

Com investimentos superiores a R$ 40 bilhões, a produção de etanol de milho no Brasil aumentou de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para quase 10 bilhões de litros projetados para 2025/26. Embora o setor tenha quadruplicado de tamanho em cinco anos, um novo desafio surgiu: como garantir consumidores para este volume exorbitante?

A eficiência do setor

O modelo econômico do etanol de milho se destaca pela sua eficiência, não apenas pela geração de combustível, mas também pela produção de DDGS, um farelo nutritivo para a alimentação de gado. Essa rentabilidade ampliou o interesse por investimentos na área, solidificando o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.

Riscos da superoferta

Apesar do crescimento acentuado da produção, as preocupações com uma eventual superoferta aumentam. Estima-se que o mercado brasileiro possa receber até 4 bilhões de litros adicionais de etanol durante uma única safra, enquanto a demanda cresce apenas cerca de 2% ao ano. Isso significa que a produção está superando a demanda significativamente.

O Brasil possui uma das maiores frotas flexíveis do mundo, mas muitos motoristas ainda preferem a gasolina pela questão da autonomia.

Para atenuar essa situação, o governo brasileiro elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. Embora essa ação ajude, o problema estrutural da demanda persiste.

Novas fronteiras para o etanol

O futuro do etanol vai além dos veículos. O combustível possui potencial em mercados emergentes relacionados à descarbonização, como o SAF (combustível sustentável de aviação) e em processos industriais com baixa emissão de carbono. Além disso, o etanol brasileiro tem a vantagem de uma baixa pegada de carbono e uma vasta disponibilidade de matéria-prima, algo que é cada vez mais valorizado internacionalmente.

O avanço do etanol de milho representa um marco tecnológico e agrícola para o Brasil, que agora precisa garantir que esse crescimento seja acompanhado pela demanda. Sem o desenvolvimento de novos mercados, competitividade nos preços e aumento das exportações, o setor pode enfrentar pressões de preço que impactariam suas margens, em um momento crítico de expansão.

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O desafio dos próximos anos não será produzir mais etanol, mas sim criar demanda suficiente para acompanhar a oferta crescente.

Miguel Daoud

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