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agricultura
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Tarifa de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro gera incertezas

Setor sucroenergético brasileiro enfrenta novos desafios de mercado

Gabriel Rodrigues22 de julho de 2026 às 10:40
Tarifa de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro gera incertezas

A recente decisão dos Estados Unidos em estabelecer uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo etanol, trouxe à tona uma série de incertezas para o setor sucroenergético. A consultoria StoneX avalia que, apesar do impacto inicial nas exportações de etanol ser relativamente reduzido, esta medida acentua a necessidade do Brasil de buscar novos mercados.

No que diz respeito ao açúcar, a situação é mais delicada. A imposição dessa tarifa pode pressionar as vendas externas a curto prazo, especialmente porque o Brasil é um grande fornecedor de açúcar bruto para os EUA, com cerca de 156 mil toneladas previstas para 2026.

Impactos no mercado de etanol

A justificativa da nova tarifa, imposta pelo governo americano, está relacionada à taxa de 18% que o Brasil aplica sobre o etanol importado. Simultaneamente, os EUA estão promovendo a utilização de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano, o que fortalece sua indústria etanólica local e diminui a dependência de importações.

Estima-se que essa mudança possa restringir em até 76% a capacidade exportadora dos EUA até 2027.

Mudanças no comércio

Antes da tarifa, já se observava uma alteração na balança comercial de etanol entre Brasil e EUA. Após 2024 ter registrado superávit, o saldo diminuiu em 2025, refletindo uma queda nas exportações brasileiras e um incremento nas importações americanas. A alta na mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina brasileira de 27% para 30% em agosto de 2025 acelerou essa transição, reduzindo estoques e favorecendo o produto americano.

No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 250,8 mil metros cúbicos de etanol dos EUA, enquanto as exportações brasileiras para esse mercado caíram para 66,4 mil metros cúbicos.

Novos horizontes para a exportação

Apesar do impacto das tarifas, a StoneX acredita que as exportações de etanol não sofrerão grandes quedas no curto prazo, uma vez que a demanda americana já havia diminuído. No entanto, o Brasil precisará explorar novos mercados, como a Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas, além de novos potenciais na Ásia, onde países como o Vietnã estão aumentando suas misturas de etanol à gasolina.

Desafios para o açúcar

Para o setor do açúcar, a situação é mais complicada. Com a tarifa extra elevando os custos do açúcar brasileiro no mercado americano, existe o risco de que isso possa reduzir o uso da cota de importação. Isso pode resultar em um aumento da oferta de açúcar disponível para outros mercados, pressionando os preços internacionais.

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Apesar dos desafios atuais, se houver déficit global de açúcar na safra 2026/27, a demanda por importações pode aumentar e fornecer suporte ao mercado.

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