Tarifa de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro gera incertezas
Setor sucroenergético brasileiro enfrenta novos desafios de mercado

A recente decisão dos Estados Unidos em estabelecer uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo etanol, trouxe à tona uma série de incertezas para o setor sucroenergético. A consultoria StoneX avalia que, apesar do impacto inicial nas exportações de etanol ser relativamente reduzido, esta medida acentua a necessidade do Brasil de buscar novos mercados.
No que diz respeito ao açúcar, a situação é mais delicada. A imposição dessa tarifa pode pressionar as vendas externas a curto prazo, especialmente porque o Brasil é um grande fornecedor de açúcar bruto para os EUA, com cerca de 156 mil toneladas previstas para 2026.
Impactos no mercado de etanol
A justificativa da nova tarifa, imposta pelo governo americano, está relacionada à taxa de 18% que o Brasil aplica sobre o etanol importado. Simultaneamente, os EUA estão promovendo a utilização de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano, o que fortalece sua indústria etanólica local e diminui a dependência de importações.
✨ Estima-se que essa mudança possa restringir em até 76% a capacidade exportadora dos EUA até 2027.
Mudanças no comércio
Antes da tarifa, já se observava uma alteração na balança comercial de etanol entre Brasil e EUA. Após 2024 ter registrado superávit, o saldo diminuiu em 2025, refletindo uma queda nas exportações brasileiras e um incremento nas importações americanas. A alta na mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina brasileira de 27% para 30% em agosto de 2025 acelerou essa transição, reduzindo estoques e favorecendo o produto americano.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 250,8 mil metros cúbicos de etanol dos EUA, enquanto as exportações brasileiras para esse mercado caíram para 66,4 mil metros cúbicos.
Novos horizontes para a exportação
Apesar do impacto das tarifas, a StoneX acredita que as exportações de etanol não sofrerão grandes quedas no curto prazo, uma vez que a demanda americana já havia diminuído. No entanto, o Brasil precisará explorar novos mercados, como a Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas, além de novos potenciais na Ásia, onde países como o Vietnã estão aumentando suas misturas de etanol à gasolina.
Desafios para o açúcar
Para o setor do açúcar, a situação é mais complicada. Com a tarifa extra elevando os custos do açúcar brasileiro no mercado americano, existe o risco de que isso possa reduzir o uso da cota de importação. Isso pode resultar em um aumento da oferta de açúcar disponível para outros mercados, pressionando os preços internacionais.
"Apesar dos desafios atuais, se houver déficit global de açúcar na safra 2026/27, a demanda por importações pode aumentar e fornecer suporte ao mercado.
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