Acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar agronegócio brasileiro
Implementação provisória traz novas oportunidades para exportações

O agronegócio brasileiro avança rumo ao mercado europeu com a implementação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia a partir de 1º de maio, após mais de 20 anos de negociações. Este pacto inicial foca no Pilar Comercial e permite uma redução imediata das tarifas, sem a necessidade de aprovação dos 27 parlamentos europeus.
Daniel Vargas, especialista da Fundação Getulio Vargas (FGV), detalha que, apesar dos benefícios tarifários, isso não garante vendas automáticas. "O acordo facilita o acesso, mas a EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento) exige conformidade adicional", alerta o professor.
✨ O sucesso na nova fase comercial depende da capacidade dos produtores brasileiros de comprovar a sustentabilidade de seus produtos, especialmente no café.
Em relação ao café solúvel, um cronograma de redução de tarifas foi estabelecido, começando com um corte inicial de 1,8 ponto percentual em uma tarifa atual de 9%. Aguinaldo José de Lima, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), observou que essa movimentação poderá ajudar o Brasil a recuperar espaço no mercado europeu, perdendo relevância nos últimos anos.
O segmento de frutas deve sentir o impacto do acordo de forma mais imediata. Produtos como uvas de mesa gozarão tarifas zeradas desde a entrada em vigor do pacto, enquanto outros seguirão súmulas de redução ao longo de anos. Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas, destaca que a tendência é de aumento da competitividade, embora a natureza do impacto varie por produto.
✨ As empresas do setor estão se preparando para atender a nova demanda e já se movimentam para alinhar-se aos critérios exigidos pelos compradores europeus.
De acordo com Vargas, ainda que a redução tarifária abra as portas, a verdadeira consolidação do agronegócio brasileiro no mercado europeu dependerá de mudanças internas, organização dos dados e adaptação às exigências europeias. "A questão não está apenas na produção, mas na conformidade regulatória", conclui o professor.
Contexto
Os trabalhos para a formalização do acordo entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e foram marcados por longas negociações e desafios relacionados a questões ambientais e tarifárias.
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