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Agronegócio
3 min de leitura

Acordo Mercosul-União Europeia transforma comércio em maio

Mudanças tarifárias e benefícios ao agronegócio brasileiro são esperados com a implementação do acordo.

Mariana Souza31 de março de 2026 às 09:30
Acordo Mercosul-União Europeia transforma comércio em maio

A implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia, programada para o dia 1º de maio, representa um marco nas trocas comerciais entre esses blocos. Damian Vicente Lluna, conselheiro de Comércio da Delegação da União Europeia em Brasília, destacou essa importância durante sua participação no projeto Ideia Café, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), no qual discutiu os próximos passos e as possíveis repercussões, especialmente para o agronegócio brasileiro.

Um passo histórico nas relações bilaterais

Lluna enfatizou que estamos vivendo um momento sem precedentes. As conversações entre a União Europeia e Mercosul tiveram início nos anos 90, quando o bloco sul-americano foi constituído. As negociações levaram cerca de 25 anos devido à complexidade envolvida nos temas tratados. O conselheiro mencionou que um dos desafios mais significativos foi encontrar um equilíbrio entre os interesses variados de ambas as partes.

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Os europeus estavam preocupados com os produtos agrícolas do Mercosul, assim como os países do bloco sul-americano estavam atentos à entrada dos produtos industriais europeus.

Damian Vicente Lluna

A aplicação do acordo começará em maio.

O que esperar em maio?

As novas tarifas serão implementadas de maneira automática, seguindo um cronograma, onde algumas serão eliminadas de imediato, enquanto outras sofrerão cortes graduais ao longo de um período que pode durar até dez anos.

Embora as tarifas sejam um aspecto que será rapidamente ajustado, a adaptação das regras regulatórias, como as diretrizes sanitárias, levará um tempo maior. Lluna apontou que essas alterações precisam ser constantemente revisadas por comitês dedicados nos próximos anos.

Setor agrícola em destaque

O agronegócio brasileiro se perfila como um dos maiores beneficiados pelo acordo, especialmente em produtos como suco de laranja, café torrado, frutas e legumes. Atualmente, o Brasil é o principal fornecedor agrícola da União Europeia, e o novo acordo deverá expandir ainda mais esse espaço.

Acesso limitado por cotas.

No entanto, o acesso ao mercado europeu será restringido para determinados produtos, como carne bovina e frango, com cotas estabelecidas. No caso da carne bovina, a cota representa apenas 1% do consumo total da Europa, diminuindo assim as inquietações internas relacionadas ao produto. O volume aplicado ao frango, por outro lado, é mais significativo e apresenta menos barreiras regulatórias.

Além disso, haverá um período de transição para a definição e distribuição dessas cotas, que pode levar alguns meses após o começo da vigência do acordo.

Impactos a longo prazo

Os efeitos econômicos do acordo não devem ser sentidos imediatamente após a implementação das novas tarifas. Lluna acredita que as repercussões começará a ser notadas dentro de três a quatro anos, devido à redução gradual das tarifas e à necessidade de harmonização das regras brasileiras com as exigências europeias.

O contexto global, que está passando por transformações significativas, aporta ainda mais relevância a este acordo. Lluna sinalizou que a desarticulação do sistema multilateral e tensão entre países como Estados Unidos e China colocam a diversificação de parceiros comerciais como uma necessidade urgente.

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Precisamos ampliar as relações comerciais com novos parceiros.

Damian Vicente Lluna

Salvaguardas e proteções

As salvaguardas previstas no acordo são um ponto de preocupação para o setor agrícola brasileiro. Lluna esclareceu que tais medidas foram fundamentais para a aceitação do acordo na União Europeia, porém não garantem a aplicação automática de restrições.

No Brasil, o Congresso também aprovou mecanismos que permitem a implementação de salvaguardas se necessário para proteger o mercado interno.

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