Acordo permite tarifa zero para 77% dos produtos agropecuários

O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul começa a valer de forma temporária no Brasil a partir desta sexta-feira (1º), trazendo novas oportunidades para o agronegócio nacional. Com a entrada em vigor, as exportações brasileiras se beneficiarão com a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agrícolas vendidos para o mercado europeu.
✨ O acordo elimina tarifas de importação gradualmente ao longo de quatro a dez anos.
Entre os produtos que não terão mais tarifas estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais, além do café solúvel e moído. Já o café em grão é isento de taxa desde antes do pacto. Em contrapartida, alguns produtos, como carne bovina e de frango, enfrentam restrições de cota de exportação, o que levanta questionamentos sobre seu impacto real.
O mercado de frutas brasileiras será um dos grandes beneficiados, já que a uva, por exemplo, poderá entrar na UE sem tarifas a partir de agora. Outros produtos como abacate, limão, melão e maçã desfrutarão de reduções significativas nos próximos anos.
""A redução de custos deve impulsionar o consumo de frutas brasileiras na Europa", afirma Luiz Roberto Barcelos, diretor da Abrafrutas.
O setor de cafés também verá avanços, especialmente no café solúvel, que atualmente possui tarifas que começarão a cair anualmente até zerar em 2030. Com isso, a competitividade do Brasil aumenta frente a concorrentes como o Vietnã.
As exportações de carnes, no entanto, terão um crescimento limitado devido às cotas e regulamentos europeus. Embora o Brasil seja um exportador líder, a nova cota anual de 99 mil toneladas para carne bovina com tarifa de 7,5% é considerada insuficiente por muitos no setor.
As carnes de aves também têm novas cotas, mas o sucesso dependerá de como as novas regras forem implementadas. A ABPA acredita que há espaço para aumentos significativos nas exportações, contanto que o acordo seja executado de forma previsível.
Os sucos de laranja terão tarifas reduzidas progressivamente, alcançando zero em até dez anos, o que pode gerar economias expressivas para os exportadores. Além disso, a soja e a celulose, que já possuem tarifa zero, continuam a ser prioritários nas exportações brasileiras.
Entretanto, a aprovação de salvaguardas pela UE, que podem suspender benefícios tarifários, gerou preocupações no Brasil. As salvaguardas permitem que a UE investigue aumentos de importações que possam afetar seus produtores locais, o que poderia limitar ainda mais as oportunidades do agronegócio brasileiro.
Este acordo, que se arrasta desde 1999, é considerado um marco para as relações comerciais globais, abrangendo 722 milhões de cidadãos e um PIB conjunto de US$ 22 trilhões. Sua implementação é vista como uma resposta ao aumento do protecionismo e à necessidade de novas alianças comerciais.
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