Voltar
Agronegócio
2 min de leitura

Agronegócio pede cautela em mudanças na jornada de trabalho

Setor destaca importância de considerar condições específicas do campo

Carlos Silva03 de junho de 2026 às 16:15
Agronegócio pede cautela em mudanças na jornada de trabalho

O debate sobre o término da jornada 6x1 chegou ao agronegócio, que solicita cautela nesse processo. Clorialdo Roberto Levrero, presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, adverte que mudanças na jornada de trabalho rural devem ser cuidadosas, levando em conta as particularidades operacionais do setor.

Levrero argumenta que a agricultura está sujeita a variáveis biológicas e climáticas, que tornam inadequadas as legislações e jornadas fixas. "Uma lavoura não espera. Uma janela de plantio ou colheita perdida pode gerar grandes prejuízos", afirma.

Ele ressalta que situações de emergência, como pragas ou mudanças climáticas, demandam respostas rápidas, sendo a viabilidade econômica do setor atrelada à capacidade de reação oportuna.

Além disso, Levrero menciona a diversidade do agronegócio, onde atividades variam entre grãos, hortaliças e pecuária, sugerindo que uma regulamentação uniforme é inadequada devido a essas diferenças.

Alterações abruptas na jornada de trabalho podem elevar custos operacionais, afetando toda a cadeia produtiva.

O presidente da Abisolo não descarta a importância do debate, mas enfatiza a necessidade de um diálogo responsável para evitar obstáculos operacionais. Ele observa que muitos setores já têm acordos de negociação coletiva que atendem às suas realidades específicas.

A preocupação com os impactos econômicos é evidente. Levrero alerta que mudanças súbitas nas jornadas poderão aumentar despesas com horas extras e contratações, repercutindo em toda a cadeia, desde a produção até o consumidor final.

Outro ponto levantado é o crescimento da informalidade. Segundo ele, "legislações que não refletem a realidade dos setores podem acabar gerando distorções, dificultando relações equilibradas de trabalho".

Levrero ainda destaca o contexto macroeconômico atual, citando a necessidade de o Brasil aumentar sua competitividade como fornecedor global de alimentos. Para ele, mudanças que afetem diretamente a produtividade devem ser adotadas com extrema cautela.

A posição da Abisolo é a favor de mudanças estruturais, mas com responsabilidade. A entidade propõe a construção de soluções que respeitem as especificidades do setor, envolvendo mecanismos de transição e segurança jurídica.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Agronegócio