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Agronegócio
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Associação de Angus busca melhorar genética de cruzamentos com zebu

Nova iniciativa visa aumentar a qualidade da carne bovina no Brasil

Gabriel Rodrigues12 de julho de 2026 às 06:55
Associação de Angus busca melhorar genética de cruzamentos com zebu

A Associação Brasileira de Angus lançou uma iniciativa revolucionária com o objetivo de identificar touros da raça Angus que possuam maior potencial genético para produzir bezerros meio-sangue de alta qualidade ao serem cruzados com vacas zebuínas, especialmente da raça Nelore.

Essa proposta visa elevar a previsibilidade da qualidade da carne e aumentar o número de bovinos que recebem certificação no Programa Carne Angus. O cruzamento industrial, que combina a genética Angus com rebanhos comerciais, geralmente zebuínos, está se consolidando na pecuária brasileira, especialmente na região Centro-Oeste.

Mais da metade dos abates do Programa Carne Angus atualmente são de animais meio-sangue, embora o percentual exato não seja divulgado.

"Até agora, toda a informação sobre carcaça proveniente da raça Angus foi coletada apenas de exemplares puros. A missão agora é compreender como essas características se manifestam nos bezerros resultantes do cruzamento," afirma Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da nova Instituição Científica Tecnológica da Associação Brasileira de Angus.

Início da coleta e metas a longo prazo

A coleta de amostras genéticas terá início no dia 14 de julho, com a meta de reunir 6 mil amostras de fêmeas meio-sangue que estão no processo de certificação. O primeiro levantamento de touros com potencial para melhorias será disponibilizado em 2027, com planos de aumentar a coleta total para 10 mil animais e realizar análises físico-químicas em 3 mil amostras de carne.

Para isso, um protocolo inovador de coleta foi criado, utilizando a tecnologia TSU para extrair amostras de tecido muscular das carcaças resfriadas, adaptando uma técnica anteriormente aplicada apenas na coleta de cartilagem da orelha.

Colaboração com Embrapa

A iniciativa conta com a parceria da Embrapa Pecuária Sul, localizada em Bagé (RS).

Em uma fase futura, a Associação tem planos de usar os dados coletados para desenvolver diferenças esperadas de progênie (DEPs), que ajudam na análise do desempenho dos descendentes em aspectos específicos, como a maciez da carne, conforme análise das amostras.

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"Os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto à maciez e suculência das carnes. Embora já existam exemplares de alta qualidade, queremos que os pecuaristas tenham ferramentas para escolher melhor suas criações," finaliza Carolina.

Com a implementação de padrões abrangentes, espera-se que a rentabilidade dos criadores aumente significativamente, pois a chance de que todos os animais levados ao frigorífico sejam certificados em programas de qualidade se torna muito maior.

A bonificação, no caso do Programa Carne Angus, varia conforme a indústria de processamento envolvida.

Impulsão da qualidade e eficiência

No último ano, o programa registrou a certificação de 612,2 mil abates, representando um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Contudo, Maychel Borges, gerente nacional do programa, observa que 25% dos animais são desclassificados devido a questões como acabamento de carcaça ou idade.

"Esses animais tinham potencial de se tornarem carnes de alta qualidade, mas não chegaram lá por diversos motivos," explica.

A expectativa é que a identificação dos touros com maior potencial para cruzamentos resulte em melhorias tanto na qualidade quanto na quantidade de bovinos certificados, promovendo um retorno financeiro para os produtores através da remuneração pela qualidade da carne.

"Com os dados adequados, podemos aprimorar o processo e trazer mais benefícios aos produtores, que é o principal objetivo do programa," conclui Borges.

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