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Agronegócio
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Aumento dos custos de fertilizantes ameaça produção de grãos

Produtores reconsideram estratégias com elevações nos preços dos insumos

Gabriel Rodrigues16 de junho de 2026 às 15:15
Aumento dos custos de fertilizantes ameaça produção de grãos

O aumento significativo nos preços dos fertilizantes está impactando diretamente a produção de grãos globalmente, forçando os agricultores a reavaliar suas compras e a ajustar suas práticas agrícolas.

A situação se agrava com a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que está dificultando o comércio no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para a importação de ureia, amônia e enxofre. De acordo com dados da Comissão Europeia, os preços da ureia subiram 55% desde o início dos confrontos, no final de fevereiro.

Na Argentina, o preço da ureia alcançou US$ 1.000 por tonelada, o dobro do que era antes da crise.

Embora haja esperanças de um alívio com a assinatura de um acordo provisório em 19 de junho, que poderia reduzir as hostilidades e reabrir o Estreito, especialistas alertam que o setor já enfrenta desafios significativos. Doriana Milenkova, analista do Rabobank, lembra que a indústria já estava sob pressão devido a gargalos logísticos durante a pandemia, aumento nos custos de energia e o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Na Europa, os agricultores estão preocupados com a possibilidade de terras permanecerem sem cultivo, especialmente em áreas com menor rentabilidade. Na Letônia, por exemplo, a Zemnieku Saeima estima que os custos de produção podem ultrapassar as receitas esperadas, mesmo em cenários otimistas.

Em resposta, a associação Agricultor do Povo, na Rússia, pediu a implementação de tarifas de exportação para proteger o mercado interno, diante de preços elevados e escassez de insumos. Apesar das preocupações, analistas acreditam que o impacto sobre a produção de grãos para 2026 será contido, pois uma parte considerável das safras já foi contratada antes do início do conflito.

A expectativa é que haja ajustes nas quantidades de fertilizantes usadas, mudanças nos tipos de produtos utilizados, além de uma maior rotação de culturas e preferência por opções que exijam menos insumos, ao invés de uma redução drástica na área cultivada.

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