Valorização dos grãos pode ser comprometida devido ao encarecimento do combustível

O aumento no preço do diesel está ampliando a pressão sobre os custos de produção agrícola, o que pode reduzir os ganhos obtidos com a valorização dos grãos. Essa situação é particularmente preocupante em momentos de colheita e maior demanda por transporte.
De acordo com Alê Delara, estrategista do agronegócio, o movimento já impacta as margens de milho e soja nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que acende um alerta para o mercado brasileiro.
✨ Nos EUA, o preço médio do diesel alcançou US$ 6,29 por galão, um aumento de 68% em um ano.
Dados da Universidade Purdue mostram que o aumento do diesel adicionou aproximadamente US$ 11 por acre ao custo do milho e US$ 7 por acre ao da soja em comparação com o ano anterior. Esses valores representam cerca de 1,6% dos custos variáveis do milho e 2% dos custos da soja, considerando lavouras em rotação com produtividade média em Indiana.
Embora esses custos adicionais sejam uma parte limitada do orçamento agrícola, eles reduzem o valor disponível para a remuneração de terra, maquinário e mão de obra. O impacto pode ser mais significativo para os produtores que já venderam parte da safra a preços fixos, pois eles podem não se beneficiar da valorização atual dos grãos, enquanto enfrentam custos maiores para colher e entregar sua produção.
Nos lotes ainda disponíveis para comercialização, os preços mais altos dos grãos podem ajudar a compensar parte desse aumento de custo. No entanto, isso dependerá também do preço do frete. Se o custo do transporte aumentar, os compradores podem descontar essa despesa das ofertas feitas aos produtores.
No Brasil, a diferença entre os preços praticados pela Petrobras e a referência internacional chegou a R$ 3,89 por litro, ou 119%, segundo a Abicom. Após o anúncio de um subsídio federal em 9 de setembro, a Petrobras anunciou um aumento de R$ 1 por litro a partir do dia 17, que será compensado pelo subsídio nas vendas às distribuidoras.
No entanto, há relatos de aumentos em diferentes regiões, além de restrições pontuais de oferta e atrasos nas entregas.
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